ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 21/08/2021
“Joker” é um filme produzido em 2019 que conta a história de um palhaço, o protagonista, que, desprezado pela sociedade enquanto vítima de problemas mentais e sem compreender o que passava com ele, tenta suicídio ao decorrer da ficção. Assim como no filme, o estigma relacionado à doenças mentais, no Brasil, faz com que muitas vítimas escondam e negligenciam suas necessidades, trazendo-as a consequências que podem levar até mesmo à morte. A fim de solucionar este problema, torna-se necessário entender a relação que os papéis de gênero têm para com as doenças mentais e como a comercialização da cultura auxilia na negligência de tais doenças.
A priori, sabe-se que a negligência quanto às questões de saúde mental, causadas por negligência, agrava a situação daqueles que necessitam de ajuda. Segundo a filósofa Simone de Beauvoir, o ser humano é condicionado desde o seu nascimento por papéis de gênero que incluem como o sujeito deve se comportar perante a sociedade. No Brasil, esta imposição manifesta-se como “masculinidade tóxica”, um preconceito estrutural social que ridiculariza homens que necessitam ou buscam ajuda e negligência, principalmente, as questões mentais, sob a necessidade de esconder os problemas a fim de “tornar-se homem”. A pressão social em torno das minorias com necessidades mentais corrobora para o dado de que 80% dos suicídios no Brasil são cometidos pela população masculina, segundo o Ministério da Saúde.
Outrossim, é importante ressaltar como a comercialização da cultura no Brasil tem auxiliado no estigma existente hoje entre a sociedade. Segundo Adorno e Horkheimer, filósofos da Escola de Frankfurt, a estrutura capital moderna comercializa as tradições e costumes dos povos e as condiciona de modo a serem produtos. Visando o lucro, o Capitalismo negligencia espaço para debates e representações no que tange às minorias detentoras de ajuda quanto à saúde mental, tornando assim o conhecimento quanto a este tipo de problema escasso e pouco democrático. Sem conhecimento, é mais difícil para os necessitados de algum tratamento de saúde mental saber como buscar ajuda, além da fala de representação que os tratam como diferentes e, portanto, indesejados.
Portanto, conclui-se que as raízes da negligência quanto às doenças mentais no Brasil tem origem social e econômica. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com a Secretaria da Cultura, financiar projetos, de fácil acesso social, e na forma de filmes e teatros, que possuam inclusão de deficientes mentais e que informem a sociedade quanto ao tratamento e normalização dessas condições psicológicas. Desta forma, a ação cultural e, portanto, social, ajudará que destinos como o do protagonista do filme “Joker” se repetirão na realidade brasileira.