ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 24/08/2021
Acordar às quatro da manhã para pegar quatro linhas de ônibus para o trabalho, ou se engarrafar no intenso tráfego da metrópole, trabalhar por oito horas e mais horas extras e, depois, percorrer o mesmo caminho para casa, terminar as rotineiras obrigações e ir direto para a cama. Esse cenário é a vida de muitos brasileiros, que se dedicam constantemente ao emprego, porém cuidam pouco de sua saúde mental. Dessa maneira, as doenças mentais se tornaram um grande estigma na sociedade brasileira, devido à constante exposição das vidas pessoais nas mídias sociais e ao descaso por grande parte da população quanto a importância de uma mente sadia.
A priori, deve-se destacar que a humanidade, desde de séculos recentes, está enterlaçada a uma grande rede denominada globalização, que, por um lado, facilita as comunicações diplomáticas e o mercado mundial, mas retira a privacidade da população. Assim como descrevia Guy Debord, em “Sociedade do Espetáculo”, esse fenômeno torna as imagens das pessoas frente à sociedade como mercadorias. Isso acontece, atualmente, na forma das redes sociais, onde as vidas pessoais são julgadas por meio de publicações de fotos e mensagens na internet e, dessa forma, os usuários estão mais vulneráveis a ataques de ódio e preconceito, o que afeta muito a auto-estima e a salubridade psicológica.
A posteriori, o assunto da saúde mental é, ainda, um tabu no Brasil popular, e no mundo em geral. Os estudos das doenças comuns como ansiedade e depressão são bastantes recentes e a preocupação com elas também, quando o aumento de casos se mostraram alarmantes. De qualquer maneira, as gerações mais velhas não tiveram contato com esse assunto nos tempos de educação como os seus filhos estão tendo, por isso muitas pessoas ignoram a discussão dos transtornos psicossociais, ao relatar que são “frescuras dos jovens”, e recusam a terapia e o tratamento medicamentoso. Assim, a superação dessa barreira interna se torna cada vez mais complicada.
Conclui-se, portanto, que deve-se alertar a todos o quão importante é cuidar, não só do corpo físico, mas do interior também. Assim, o Ministério da Saúde deve promover uma campanha nacional de saúde mental, juntamente com o Setembro Amarelo, por meio de cartilhas, lives de palestras gratuitas no “YouTube” e “workshops” que comuniquem para as pessoas sobre os sintomas dos distúrbios mentais e a importância do tratamento terapêutico. Com isso, ao normalizar essa questão, a felicidade não será mais impossível.