ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 24/08/2021
O filme estadunidense “Coringa”, lançado em 2019, retratou o descaso do Estado com a saúde mental do personagem Arthur Fleck e os impactos negativos que isso trouxe em sua vida. Analogamente, na realidade brasileira, o estigma associado às doenças mentais mostra-se como um grande impasse para convivência respeitosa entre os indivíduos. Diante desse cenário, convém analisar medidas de reversão dessa situação causada não apenas pelos preconceitos estabelecidos, mas também à ineficácia estatal em garantir apoio.
Primordialmente, convém ressaltar que as relações modernas se tornaram cada vez mais superficiais e banais, segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, o que contribui para que pensamentos infundados sobre a saúde mental sejam difundidos e preconceitos sejam formados. Assim, é facilitada a exclusão das pessoas acometidas por essas enfermidades do restante do conjunto social, por serem vistas como perigosas e incapazes, como foi feito com o personagem Arthur Fleck. Por conseguinte, há receio e medo dos que precisam de tratamento em procurar ajuda e o ciclo negativo tende a permanecer por anos.
Outrossim, vale lembrar da obra “O cidadão de papel”, escrita por Gilberto Dimenstein, na qual afirma que os direitos previstos constitucionalmente não são cumpridos na prática. Isso pode ser visto na escassa atuação estatal quanto aos tratamentos e apoios oferecidos para pessoas que necessitam de ajuda, uma vez que o número de vagas com psicólogos e psiquiatras é desproporcional com o número de solicitantes, que já passa de 50%, de acordo com a BBC. Com isso, é visto a dificuldade de integração dessas pessoas por parte de um órgão que, constitucionalmente, deveria acolhê-las.
É imprescindível, portanto, que medidas sejam tomadas para reduzir o estigma existente associado às doenças mentais. Por isso, o Ministério da Saúde precisa, mediante contratação de psicólogos e psiquiatras, abrir mais vagas de acompanhamento e apoio por todo o país de maneira acessível, a fim de que os acometidos tenham a oportunidade de receberem ajuda. Ademais, a mídia, como principal influenciadora de massa, deve mostrar em horário nobre, a importância de mobilizar todos do tecido social em prol do apoio e acolhimento dos indivíduos com algum transtorno, com o intuito de aumentar o acolhimento e segurança para quem precisa. Com isso, o preconceito e abandono serão apenas tópicos distantes e vistos apenas na ficção.