ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 30/08/2021
A Constituição Federal, promulgada em 1988, assim como a Declaração Universal dos Direitos Humanos defendem o direito à dignidade humana a todos os cidadãos. Porém, hodiernamente, sabe-se que esse direito não tem sido assegurado às pessoas com doenças mentais. Nesse sentido, entre os fatores que fortalecem o estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira, destacam-se: a falta de informação sobre o tema e o descaso da sociedade para com os indivíduos acometidos por esses problemas.
Vale pontuar, inicialmente, que a escassez de informações sobre as doenças mentais corrobora com a problemática. Segundo o biólogo Frans de Wall “os humanos são ricos em tendências sociais”, ou seja, aceitam facilmente o que é ensinado pelo senso comum. Nesse contexto, nota-se que a sociedade brasileira tem aceitado o estigma que permeia as doenças mentais. Isso ocorre devido a exiguidade de informações acerca dessa temática que, consequentemente, influencia a população a acreditar em qualquer fonte de informação. Dessa maneira, de acordo com as ideias do sociólogo Émille Durkheim sobre fato social - onde o indivíduo aprende o que a sociedade lhe impõe - percebe-se que as marcas associadas às doenças mentais são difíceis de se extinguir.
Além disso, atrelado à falta de informação, o descaso da sociedade impulsiona os desafios dessa temática. Na série da Netflix, “13 reasons why”, uma menina comete suicídio porque sofria “bullying” pelo fato de ter depressão. Nesse viés, sabe-se que acontecimentos como esse não são exclusivos da ficção. Ademais, fatos como esse ocorrem porque as pessoas, devido a falta de informação, tratam indivíduos com doenças mentais de acordo com tabus e com descrédito. Assim, os preconceitos, que são a base do estigma associado às doenças mentais, são cada vez mais intensificados.
Portanto, se faz necessário que o Ministério da Saúde - órgão responsável pela regulamentação da saúde no país - promova palestras nas escolas e universidades - abertas ao público - administradas por psiquiatras e psicólogos a respeito dessa temática, a fim de que as informações corretas cheguem ao maior número de pessoas possível. Além disso, deve-se incluir treinamentos para guiar pessoas em como lidar com indivíduos acometidos por qualquer doença mental. Dessa forma, as pessoas estarão bem informadas e, juntas, lutarão contra o estigma associado às doenças mentais no Brasil, fazendo-se valer, novamente, o que defende a Constituição Federal e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.