ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 19/09/2021
Nas décadas de 1980 e 1990, falar em transtorno psíquico no Brasil era tabu. A abordagem manicomial da época trazia consigo uma marca profunda de preconceito contra a doença mental. Em dias atuais, mesmo com os avanços terapêuticos da saúde mental, o estigma e o preconceito ainda permanecem, o que dificulta o enfrentamento e o manejo dos transtornos mentais.
Nos últimos 40 anos, falar em transtorno mental remetia a manicômio, preconceito, isolamento e até invalidez. O antigo caráter generalizador dos tratamentos tornava a internação traumática e incapacitante. Isso desenhou um estigma acerca do portador de doença mental que, por não querer ser visto como louco, tardava em buscar assistência. Entretanto, com a evolução da medicina já se conhecem inúmeros outros tipos de transtorno mental. A depressão, por exemplo, já é conhecida como “mal do século” por seu caráter destruidor e incapacitante. A OMS motra que, só no Brasil, 11,5 milhões de pessoas sofrem com a doença que, por si só, é a segunda maior causadora de afastamentos de trabalho em todo mundo.
A dificuldade no manejo dessas doenças se perpetua também pela ineficácia dos serviços de atendimento a doentes mentais, visto que, no geral, o número de médicos psiquiatras e psicólogos é reduzido no âmbito do SUS. Sem contar nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que não insuficientes em comparação com a demanda de pacientes. A falta de sensibilização social, que estigmatiza mais ainda a busca por assistência psiquiátrica, atrasa a busca por assistência médica, dificultando o problema.
As marcas do preconceito acerca dos transtornos mentais é visível na sociedade brasileira. É necessário eliminar o estigma a fim de combatê-los, bem como seus impactos na economia e na sociedade. Para tal, é essencial que o Ministério da Saúde (MS) sensibilize a população acerca dos sinais de depressão e outros transtornos, como lidar e em que momento buscar ajuda profissional. Cabe ao MS ainda, garantir a capacitação de profissionais no atendimento de saúde, de forma respeitosa e humana para lidar com os portadores de transtorno psíquico, aumentar o número de CAPS e leitos psiquiátricos em hospitais gerais, a fim de abranger uma maior parcela da população. É importante que o MEC promova nas escolas a eliminação do preconceito, a fim de valorizar a vida e eliminar esse mal de uma vez por todas.