ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 08/09/2021

O artigo 5 da Constituição Federal de 1988, promulgada no processo de redemocratização nacional, defende o direito à igualdade para todos, independemente das diferenças. No entanto, na sociedade brasileira, percebe-se uma situação distinta da cláusula, principalmente quanto ao estigma associado às doenças mentais. Nesse sentido, configura-se a persistência de uma problemática no país, em virtude da segregação sofrida por esses cidadãos, além do ensinamento de preconceitos para os jovens.

Diante desse cenário, evidencia-se como a formação da sociedade moderna contribuiu para a instauração desses estigmas. De acordo com o filósofo Michel Foucault, em sua obra “Vigiar e Punir”, com a reorganização do corpo social após a Revolução Francesa, o Estado, para docilizar os seus cidadãos, criou instituições com o intuito de “castrar” os diferentes, como os hospícios. Sob essa ótica, nota-se como, devido a esse processo histórico, houve um distanciamento desses indivíduos do restante da população, visto que colocá-los segregacionados, em vez de tratá-los na medida de suas desigualdades, é menos custoso. Desse modo, é inaceitável que, em pleno século 21, ainda existam tais preconceitos na sociedade brasileira.

Ademais, observa-se como uma educação familiar estigmatizada colabora na manutenção do quadro atual. Segundo o psicanalista Sigmund Freud, em seus estudos sobre a infância, todos os hábitos praticados pelos responsáveis de um jovem afetam em como aquele indivíduo agirá no futuro. Sob esse viés, ao demonstrar visões de mundo preconceituosas sobre quem possui transtornos mentais para crianças e adolescentes, estes perpetuam atitudes ofensivas, como discriminações em ambiente escolar. Logo, é nítida a necessidade de modificar esses ensinamentos para que esse problema não persista na sociedade brasileira.

Portanto, são necessárias medidas para amenizar o estigma sofrido pelos que possuem transtornos mentais. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com a mídia, por meio da promoção de palestras, criar campanhas na internet para alterar a situação atual. Isso deve ser feito pela criação de um ambiente virtual, em que existirão discussões com psicólogos, que deverão demonstrar como não agir de forma preconceituosa com quem possui essas doenças mentais, e com a participação do público para sugestões e questionamentos, a fim de diminuir esse preconceito histórico na sociedade brasileira. Além disso, haverá um espaço voltado para os responsáveis por jovens, com profissionais especialistas em comportamento infantil. Dessa forma, o artigo 5 da Carga Magna será melhor cumprido.