ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 30/09/2021

Na produção estadunidense “Coringa”, é retratado a vida do personagem Arthur Fleck, um homem que possui transtorno mental, e que por isso é excluído da sociedade, apresentando inclusive, piora em seu quadro clínico. Assim como na ficção, a sociedade contemporânea brasileira apresenta estigmas associados às doenças mentais, fruto de um processo histórico cultural, enraizado nessa sociedade. Logo, ocorre a banalização dos transtornos mentais em detrimento da falta de informação e desconhecimento levando a criação de estigmas e preconceitos associados aos portadores dessas doenças, acarretando consequências drásticas na vida do indivíduo como a perda do emprego e segregação da sociedade.

Em primeiro lugar, é necessário o conhecimento de que, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o país com mais pessoas ansiosas no mundo e que a cada 45 minutos, uma pessoa comete suicídio no Brasil, com isso é reconhecida a importância do conhecimento sobre o assunto. Campanhas como Setembro Amarelo e Janeiro Branco, ajudam a propagar informações relacionadas às doenças mentais, contudo, ainda há um grande desconhecimento e falta de informação que causa a não validação das doenças mentais, a falta de apoio familiar, a banalização dos transtornos e a ocorrência do preconceito.

Em segundo lugar, em consequência da falta de informação, há o desprezo e exclusão aos portadores de transtornos mentais. Enraizado na sociedade, o preconceito dá origem a diversos rótulos e estereótipos como: a relação de agressividade atribuída aos indivíduos portadores das doenças mentais, as expressões como “louco” e “inválido”, e outras palavras usadas de formas pejorativas. Além disso, há a segregação dessas pessoas em relação ao restante da sociedade, como visto no livro “Holocausto Brasileiro”, que retrata a realidade de um hospício, onde há diversas pessoas taxadas como “loucas” e muitas vezes sem nenhuma precedência clínica.

No entanto, é evidenciada a necessidade de ações para o combate aos estigmas, ainda existentes, das doenças mentais no Brasil. Para isso, o Ministério da Saúde em conjunto com as Secretarias de Saúde e a mídia, a fim de conscientizar a sociedade, deve convidar profissionais especialistas, como psicólogos e psiquiatras, a ministrarem palestras para serem propagadas nas redes sociais e na televisão, em formato de vídeo, para que sejam fornecidas informações verídicas e haver o combate ao preconceito. Nas palavras de Sigmund Freud, “Não desejo suscitar convicções, o que desejo é estimular o pensamento e derrubar preconceitos”.