ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 17/09/2021

Manoel de Barros, grande poeta pós modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo a lógica da barrosiana, é preciso se atentar aos estigmas associados às doenças mentais na sociedade brasileira ,tema de extrema importância, porém pouco discutido. Nesse sentido,a fim de mitigar os males relativos a essa temática, é necessário analisar a má influência midiática e a falha estatal.

Primordialmente, é importante salientar que a mídia tem grande impacto negativo no processo de superação dos estigmas relacionados à saúde mental da população. Para entender tal apontamento, é válido citar que os veículos midiáticos, embora tenham sido criados com o propósito de garantir o acesso de informação a todos, não estão cumprindo com o seu papel. Isso é possível de se observar pelo fato de que o preconceito contra indivíduos afetados por alguma doença mental está intimamente ligado com a desinformação a respeito dos mesmos, fazendo com que muitos os vejam como “anormais” e os rotulem de forma negativa. Desse modo, a mídia ,ao não disseminar de forma eficiente informações que combatam esse estigma, falha com o seu objetivo principal e contribui para a opressão dessa minoria social.

Além disso, a falha governamental atua como um forte agravante do problema. Isso porque, como afirmou Gilberto Dimenstein em sua obra “Cidadão de Papel”, a legislação brasileira é ineficaz, uma vez que, embora aparente ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. Prova disso é a falta de políticas públicas satisfatórias voltadas para a aplicação do artigo 6 da “Constituição Cidadã”, que garante o direito à saúde a todo cidadão brasileiro. Isso é perceptível seja pela falta quantitativa de instituições de tratamento para doenças mentais, que muitas vezes estão ausentes em cidades interiorizadas, seja pela precarização das mesmas, que não possuem os recursos necessários para seu pleno funcionamento. Dessa forma, fica claro que nem mesmo princípio jurídico foi capaz de solucionar a temática.

Portanto, é imperativo a criação de medidas que ajam sobre a problemática. Nessa lógica, cabe a mídia-importante órgão modelador de opiniões- apresentar mais informações e trazer representatividade às telas por meio de propagandas explicativas e entrevistas com indivíduos que sofrem com doenças mentais, a fim de quebrar o ciclo de desinformação populacional. Ademais, cabe ao governo federal direcionar mais investimentos para a criação e melhoria dae instituições de tratamento. Assim, a Constituição brasileira poderá ser concretizada.