ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 16/10/2021
Na série norte americana “13 reasons why”, disponível no catálogo da Netflix, são retratas diversas temáticas, dentre elas a história fictícia de Hannah, uma jovem estudante que, devido ao agravamento de seu quadro depressivo e ao escasso suporte oferecido pela escola, acaba tirando a própria vida. Fora da ficção, observa-se ainda presente, no Brasil, o estigma associado à doenças mentais: assim como a personagem, muitos brasileiros não encontram caminhos para tratar suas enfermidades psíquicas, seja pela histórica propagação de estereótipos em relação ao tema, seja pela falta de investimento do Estado na saúde da população.
Sob essa perspectiva, cabe ressaltar que a manutenção de falas hostilizadoras acerca dos transtornos mentais colabora, em muitos casos, com a negligência dos brasileiros em procurar ajuda profissional. Isso ocorre, primordialmente, devido à permanência de uma cultura religiosa baseada na sanidade e na “paz de espírito”, conceitos difundidos desde a Idade Média – período em que eram condenados à morte ou ao exílio todo o indivíduo que, por algum motivo, perdesse a razão ou a moral – e perpetuados até os dias de hoje. À vista disso, é compreensível que parte da população acometida com transtornos mentais não busque ajuda médica, visto que os próprios doentes consideram a enfermidade um fado divino cuja solução pode ser estabelecida com oração. Diante disso, é necessário que a sociedade brasileira seja informada da necessidade de buscar atendimento profissional.
Ademais, é válido analisar a inoperância do governo federal no que se refere à garantia do bem-estar coletivo. Segundo o artigo 6° da Constituição federal de 1988, a saúde é um direito de todos e dever do Estado, entretanto, devido à baixa verba concedida as escolas para a implementação de salas de apoio psicológico aos alunos, muitos brasileiros se distanciam do proposto pela Magna Carta e a narrativa da série americana torna-se mais frequente. Assim, fica evidente que, para aumentar a efetividade da Constituição, deve-se haver, mormente, lugares especializados em cuidar das pessoas acometidas com transtornos psíquicos.
Portanto, a fim de minimizar o estigma associado às doenças mentais, cabe ao Ministério da Saúde desenvolver campanhas informativas em que sejam evidenciadas a importância de procurar tratamento médico e, também, as formas de identificar os sintomas. Tal ação deve acontecer por meio do compartilhamento de cartilhas nas redes sociais, as quais serão repostadas a cada trimestre. Além disso, o Legislativo de formular uma lei que exija a construção de, pelo menos, uma sala de atendimento psicológico nas escolas, para que, por meio de consultas quinzenais, os estudantes possam cuidar da sua saúde mental com mais facilidade, diminuindo casos como o de Hannah Baker.