ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 18/09/2021

No século XIX, o médico francês Phillip Pinel foi o pioneiro nos estudos sobre as doenças psiquiátricas e suas relações com a sociedade, o que foi um enorme avanço para a medicina moderna. Entretanto, mesmo após avanços nas pesquisas sobre essas doenças, o pioneirismo de Pinel é desvalorizado, haja vista que os problemas psicológicos são vistos com preconceito pela sociedade brasileira e necessita de intervenções. Nesse sentido, para combater esse cenário, há de se desconstruir a indiferença da sociedade, bem como a omissão do Estado.

Em primeiro lugar, é fundamental considerar que uma população indiferente em relação a transtornos psíquicos corrobora para a manutenção dos estigmas. Nesse viés, o autor Gilberto Freyre disserta, em sua obra “Casa-grande e senzala”, que a formação da sociedade brasileira baseou-se no fato de que pessoas que não se encaixavam no padrão social eram marginalizadas pela maioria. Sob esse aspecto, essa interação social excludente - citada pro Freyre - perpetua-se na sociedade na medida em que indivíduos que sofrem de distúrbios tem os seus problemas relacionados a uma simples fragilidade emocional ou rotulados como “frescura”. Logo é perceptível que a falta de conhecimento e empatia são as principais propagadoras de preconceito.

Em segundo lugar, além de uma população indiferente, a omissão do Estado contribui para a permanência desse impasse. A esse respeito, o filósofo Thomas Hobbes define que o Estado é o responsável por garantir o bem estar da população. Com efeito, a falta de políticas públicas - como aulas desde a primeira infância - que visam instruir os brasileiros sobre a importância de ter uma boa saúde mental e entender que doença mental não é motivo para exclusão, invibializa o conceito de Hobbes. Assim, enquanto a postura estatal se mantiver, o País continuará sem dar a devida importância para os pacientes psíquicos.

Fica claro, portanto, que o preconceito acerca da saúde mental deve ser minimizado pelos governantes. Para isso, o Ministério da Educação deve incluir aulas e debates, com a participação de psicólogos e psiquiatras, com a finalidade de promover o conhecimento sobre a importância e a seriedade da problemática para os alunos. Além disso, essas aulas seriam incluidas por meio de alteração na Lei de Diretrizes e Bases da Educação para que se desconstrua o preconceito enraizado na sociedade.