ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 21/09/2021
O romance filosófico “utopia” -criado pelo escritor inglês Thomas Morus, no século XVI- retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas. Tal obra fictícia mostra-se distante da realidade no tocante ao estigma associado às doenças mentais, problema ainda a ser combatido no Brasil. Esse panorama ocorre não só em razão do desconhecimento da população acerca dessas condições mentais, mas também da ausência de políticas públicas que visem a inclusão desse grupo. Dessa forma, torna-se fundamental a análise dessa conjuntura para reverter esse quadro.
Nesse contexto, é primordial destacar que a carência de investimento em políticas públicas que visem a inclusão desse grupo, deriva da ineficácia do poder público no que concerne a criação de mecanismos os quais coíbam a manutenção dos estigmas associados às doenças mentais. Sob a perspectiva do filósofo contratualista John Locke, o Estado foi criado por meio de um pacto social para assegurar os direitos fundamentais dos indivíduos e proporcionar relações harmônicas. Entretanto, é notório o rompimento desse contrato social, visto que, devido à baixa de atuação das autoridades, a manutenção dos estigmas associados às doenças mentais é fortalecida por indivíduos os quais desconhecem das condições mentais desse grupo e, desse modo, proporcionam relações desarmônicas.
Outrossim, o desconhecimento da população acerca dessas condições apresenta-se como outro desafio da problemática. Sendo assim, segundo o renomado cientista político Leandro Karnal, a ignorância é a mãe de todos os males. Tal conceito abordado é materializado no Brasil, haja vista que, o desconhecimento da população acerca das doenças mentais é responsável pela manutenção de estigmas associados à esse grupo e, por conseguinte, proporciona a exclusão social de milhares de brasileiros os quais compartilham dessa condição. Logo, tudo isso retarda o combate aos estigmas associados às doenças mentais no Brasil, já que a ignorância contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Dessarte, são necessárias medidas as quais visem mitigar essa problemática. Portanto, é mister que o Ministério da Educação, junto a parcerias público-privadas, elaborem o projeto “Ser diferente é normal”, para que esse, por meio de palestras ministradas por sociólogos e psicopedagogos capacitados, seja instaurado nas redes de ensino com a finalidade de mitigar a ignorância acerca das doenças mentais. Quanto à divulgação, essa pode ser feita por meio de anúncios no TikTok ou no Instagram. Sendo assim, poder-se-á se aproximar, cada vez mais, da utopia proposta por Thomas Morus.