ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 27/09/2021
Em sua obra “O Cidadão de Papel”, o jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein comenta sobre a ineficácia das leis presentes em documentos oficiais, de modo que as garantias jurídicas limitam-se à teoria. Nesse sentido, embora a saúde físia e mental seja um direito atestado pela Constituição Federal, observa-se, na prática, que indivíduos não mentalmente saudáveis são alvos de preconceito, realidade que prejudica a concretização da norma constitucional. Diante disso, é possível destacar a influência das mídias e a alienação da população como fatores que sustentam a atual conjuntura.
De início, é relevante mencionar que as mídias, devido ao seu potencial de transmitir mensagens a uma quantidade expressiva de pessoas, atua como elemento de elevado poder de influência, impactando o pensamento coletivo. Nesse contexto, os filósofos Adorno e Horkheimer, pertencentes à Escola de Frankfurt, desenvolveram o conceito de Indústria Cultural, segundo o qual os detentores dos meios de comunicação determinariam os conhecimentos e as opiniões das grandes massas, de forma a motivá-las a consumir e gerar lucro para a classe dominante. Dessa maneira, os veículos de comunicação propagam ideias que apontam para a necessidade de se buscar um estilo de vida perfeito, o qual não admite a existência de transtornos mentais, noção que gera posturas de negação e discriminação daqueles que manifestam distúrbios psiquiátricos.
Ademais, a falta de discussão em relação ao assunto de doenças mentais contribui para a manutenção dessa problemática, haja vista que resulta na alienação social. Essa afirmação é condizente com o pensamento da intelectual alemã Hannah Arendt, de acordo com o qual a carência de questionamento moral diante de um cenário de injustiça a um grupo origina a banalidade do mal. Assim, por falta de informação, não se reflete a respeito do estigma associado a pessoas que sofrem de transtornos mentais como ansiedade e depressão, circunstância que favorece a exclusão social desses indivíduos, como consequência do precário entendimento dos desafios por eles enfrentados.
Portanto, verifica-se a persistência de obstáculos estruturais que dificultam o combate do preconceito direcionados às vítimas de transtornos de ordem psicológica. Logo, a fim de mitigar o deficiente conhecimento público e a falta de questionamento acerca desses distúrbios, cabe ao Ministério da Educação, agente fundamental para a formação socioeducacional dos cidadãos, a promoção de palestras instrutivas quanto à origem de perturbações mentais e seus efeitos à vida dos indivíduos afetados, a serem efetuados em lugares públicos - como parques, escolas e universidades -, por meio da participação de psicólogos e neurocientistas especializados em doenças mentais. Com isso, espera-se reduzir a discriminação frente a problemas psicológicos.