ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 30/09/2021

‘‘O amor por princípio, a ordem por base; o progresso por fim’’. Esse lema positivista, formulado pelo filósofo francês Auguste Comte, inspirou a frase política ‘‘Ordem e Progresso’’ exposta na célebre bandeira nacional. No entanto, o cenário desafiador vivenciado no Brasil representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que o estigma associado as doenças mentais - grave problema a ser enfrentado pela sociedade - resulta na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social. Desse modo, não só a negligência do Estado, como a falta de empatia - reflexo do individualismo - solidificam tal mazela.

A princípio, é interessante pontuar que a negligência do Estado é uma das causas do problema no país. De acordo com a Constituição Federal de 1988, a saúde é um direito social. Nesse sentido, imagina-se que o bem-estar da mente é garantido por tais direitos, já que é legalmente assegurado pelo documénto jurídico mais importante do país que as instituições hospitalares possuam condições para o tratamento adequado e específico de psicopatologias. No entado, infelizmente, o Estado não atua em defesa do ponto de vista coletivo previsto constitucionalmente, já que grande parte da sociedade ainda sofre com essa paridade. Esse sofrimento ocorre pela falta de infra-estrutura e de profissionais especializados nas institituições de atendimento psicossociais. Portanto, é inadmissível a ineficácia do governo em não defender as garantias básicas da população verde-amarela.

Além disso, a problemática encontra terra fértil no individualismo e na falta de empatia. Isso é devido ao fato de que a massa é inerte em sua alienação sobre as enfermidades psicológicas, dando continuidade a um preconceito retrógrado presente em todas as camadas sociais. Na obra ‘‘Modernidade Líquida’’, Bauman defende que a pós-modernidade é influenciada fortemente pelo individualismo. Em virtude disso, há como consequência a frequente discriminação, exclusão social  e empregatícia de portadores de distúrbios mentais. Assim, essa liquidez influi sobre a questão do estigma das doenças mentais e funciona como um forte empecilho para sua resolução.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Governo Federal, por intermédio do Ministério da Saúde, promova investimentos estruturais nos hospitais públicos para o tratamento adequado e gratuito, especialização de profissionais, bem como o Ministério das Comunicações promova campanhas midiáticas de combate a intolerância aos doentes a fim de cessar o preconceito e promover a inclusão desses indivíduos no corpo social. Assim, tornar-se-à possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.