ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 06/10/2021
“Joker” é um filme de 2019 que retrata a jornada de uma pessoa com psicopatia. Durante o filme, os cuidados especiais que o protagonista requisitava, como tratamento psiquiátrico e aceitação de seus próximos, vão sendo negligenciados, até o ponto em que seus problemas se agravam e transforma-se em raiva contra aqueles que o fizeram mal. Assim como na ficção, na sociedade brasileira moderna é comum o descaso e desconhecimento quanto às necessidades que as pessoas com mal-estar mental possuem. Sob tal perspectiva, depreende-se a necessidade de debater o estigma social quanto às doenças mentais no Brasil.
Primeiramente, é notável que o descaso com tal situação demonstra números alarmantes. Segundo pesquisa divulgada pelo IBGE, no ano de 2017, aproximadamente 11 milhões de brasileiros possuem depressão. Em consonância com isso, outras doenças mentais são agravadas na população pela negligência quanto aos tratamentos que estes merecem, quando se desincentiva tratamentos psicológicos e trata-se tais problemas como “frescura”, costumes estes enraizados na sociedade lusófona. Dessa forma, a falta de consideração com problemas psicossociais torna-se uma imposição viciosa para o contexto de saúde mental.
Em segundo lugar, a exclusão das pessoas com necessidades especiais é uma forma de opressão histórico-dialética. Conforme os conceitos marxistas de “Superestrutura, Infraestrutura e Alienação”, é possível entender o que ocorre com portadores de comorbidades psiquiátricas. Estes conceitos afirmam que a história é movida por uma dialética entre uma parte oprimida da sociedade, a infraestrutura, e uma opressora, que exerce a superestrutura. Aplicando-o na realidade brasileira, torna-se visível que o estigma quanto aos portadores de doenças mentais privou-os de todo o espaço público para o debate público de tais condições e de políticas públicas voltadas para este tipo de minoria. Evidencia-se, portanto, um conflito no que tange ao espaço social voltado para estes tipos de pessoas.
Com o intuito de amenizar essa problemática, o Congresso Nacional deve, em parceria com o Ministério da Saúde, formular políticas públicas de inclusão de pessoas com doenças mentais na sociedade, através de consultas psiquiátricas gratuitas em postos de saúde ao redor do país. Ademais, a fim de eliminar a ignorância pública quanto ao tema, cabe às escolas, em parceria com as famílias, inserir a discussão de tais psicoses por palestras envolvendo os pais e os alunos, na qual se debate o como lidar com essa situação e como auxiliar portadores de tais condições. Feito isso, o destino do protagonista de “Joker” não se repetirá no Brasil.