ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 14/10/2021
Na canção “Manifestação”, membros da classe artística nacional vinculam a conquista de direitos sociais à luta coletiva contra padrões de conduta ultrapassados e, a longo pazo, desgastantes. Contudo, o contexto brasileiro ainda torna ao regresso de tais esforços quando se observa o estigma associado às doenças mentais na sociedade hodierna, uma ameaça ao caráter inclusivo da identidade nacional. É mister, por isso, comprender sua ocorrência como resultado da negligência educacional e da falta de inclusão cultural.
Convém ressaltar, destarte, que, diante da hostilidade a pessoas com depressão - mais sensíveis à caluniação - nas redes, a pífia abordagem escolar sobre o entrave omite a importância da heterogeneidade social. Conforme o filósofo Sócrates, o processo de aprendizagem deve provocar a reflexão discente quanto a opiniões prefixadas, de modo a reverter ultrajes no pensamento do aluno. Todavia, a partir da evidente tecnicização da aprendizagem nacional, o corpo educador abre mão do debate pautado em inúmeras pré-concepções que banalizam anseios minoritários, o que, ao mesmo tempo, afronta o ideário do pensador e perpetua condutas discriminatórias contra tal patologia na “web”. Assim, tal conjuntura endossa linchamentos verbais centrados em indivíduos depressivos na internet, consoante à carência de criticidade infanto-juvenil nesse aspecto.
Seria imprudente omitir, outrossim, que a marginalização de esquizofrênicos nos ambientes públicos de socialização advém de sua diminuta representatividade na produção artística nacional. Nesse sentido, a célebre franquia de gibis “Turma da Mônica” supera raízes primitivistas na cultura do Brasil quando, consoante ao título de “país da diversidade” por ele adquirido, demonstra a plena possibilidade de inserção de portadores desse transtorno no cotidiano por meio de Louco - personagem com traços marcantes da esquizofrenia, o qual possui capacidades interativas similares às dos demais integrantes das tramas. Infelizmente, ainda é limitada a cobertura de uma miríade de “Brasis” presentes em toda a federação na arte, uma vez que esta, por muito tempo, idealizou formas e condutas humanas. Assim, mais essa anomalia psíquica é segregada, em detrimento da integração social.
O Estado deve, portanto, combater o estigma associado às doenças mentais. Dessa forma, urge que o Ministério da Educação - órgão distribuidor de recursos ao cenário educacional brasileiro - crie, por meio de verbas governamentais, palestras educadoras acerca da temática, a fim de relacioná-la à exclusão artística. Ademais, cabe ao IBGE a renovação de dados que tangem à ciberdiscriminação centralizada, com o fito de evidenciar suas proporções. Somente assim a coletividade ramificará direitos sociais ao moldes da canção.