ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 11/10/2021

Define-se como estigma Estigma a co-ocorrência de rotulagem, estereótipos, exclusão e discriminação de determinado indíviduo ou grupo social que segue o oposto das normais culturais tradicionais de uma sociedade. Nesse viés, convém depreender a questão do estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira que, fatidicamente, perdura devido à inércia social e a falta de abordagem do tema.

Em primeiro lugar, é lícito evidenciar a falta de participação popular como um obstáculo que corrobora para perpetuação da problemática. Nesse sentido, segundo o literato português José Saramago, no romance “Ensaio Sobre a Cegueira”, o comportamento negligente por parte da população em não se mobilizar para participar ativamente de causas em prol da defesa dos direitos dos seus semelhantes e lutar para garantir a inclusão dos que são portadores de psicopatologias, é definido como “Eclipse de Consciência”, ou seja, a ausência de empatia dos indivíduos frente as mazelas sociais enfrentadas pelo próximo, nesse caso a exclusão social proveniente do preconceito em relação aos portadores de doenças mentais. Por conseguinte, considerável parcela da população fomenta a invisibilização do imbróglio em evidência.

Outrossim, é imperativo destacar a negligência frente à abordagem do problema como um dos fatores que validam a sua persistência. Diante disso, segundo o conceito de “Ação Comunicativa", definido pelo filósofo Jurgen Habermas, para que as pessoas tenham capacidade de defender os seus interessses e demonstrar o que acha melhor para a comunidade, ela precisa obter ampla informação prévia sobre o assunto. Assim, a carência de espaço midiático voltado para a importância do combate aos estigmas associados às doenças mentais vigora como um empecilho para a solução do óbice, pois compromete a tomada de ação da população, haja vista que essa só tomará partido para a solução da problemática mediante ao conhecimento detalhado do infortúnio como causas e caminhos para erradicação. Portanto, é necessário que se fixem ações a fim de diminuir a falta de visibilidade do tema.

Urge, pois, que medidas sejam tomadas com intuito de coibir o problema discorrido. Assim, faz-se necessária ação do Ministério da Educação em união com as instituições de ensino, promovendo, desde cedo no ambiente escolar, o debate acerca do tema por meio de rodas de conversa e palestras para que se formem cidadãos conscientes e capazes de vencer as barreiras do preconceito frente às doenças mentais. Paralelo a isso, é necessário a criação de campanhas, veiculadas nas mídias sociais, que abordem o tema para garantir maior efeito de participação pupular. Feito isso, o Brasil poderá caminhar a completude de uma sociedade sem estigmas relacionados às doenças mentais.