ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 26/10/2021

Indubitavelmente, a sociedade brasileira necessita urgentemente de uma reforma no pensamento retrógrado acerca dos transtornos mentais. Apesar de quase 12 milhões de brasileiros conviverem com a depressão, por exemplo, ainda há um preconceito muito grande da população como um todo acerca das doenças mentais. É muito comum que esse tipo de doença não seja levada a sério pelo imaginário popular, refletindo esse estigma na prática; um exemplo disso é a falta de investimentos e de profissionais qualificados no Sistema Único de Saúde na esfera da saúde mental. A falta de acolhimento para com pessoas portadoras de doenças psíquicas deve ser mudada de maneira imediata, pois as conseqüências da falta de apoio podem ser drásticas e até mesmo fatais.

É visível o quanto as doenças físicas são colocadas numa via de importância muito grande, enquanto as doenças mentais são vistas como sentimentalismos sem grande valor. A escassez de informações de domínio público fazem com que a maior parte da população não perceba a gravidade das doenças mentais, não sabendo como precavê-las ou como lidar com estas. Essa deveria ser uma preocupação de saúde pública, uma vez que toda e qualquer pessoa pode desenvolver transtornos emocionais, os quais devem ser tratados e vistos como válidos, criando uma rede de apoio que evite a intensificação do problema.

Evidentemente, há por trás de toda essa injúria com o âmbito psicológico, um agente chamado de capitalismo. O sistema econômico que visa o lucro acima de todas as coisas não considera interessante que haja pessoas que tenham que parar de produzir ou desacelerar sua produção em prol de sua saúde mental. A alienação do trabalhador, proposta pelo sociólogo referencial Karl Marx é extremamente presente nessa análise: não sabendo os trabalhadores de suas doenças relacionadas ao emocional, continuam trabalhando, mesmo esgotados, tentando ocupar a mente com outras coisas; isso tudo é altamente rentável para os donos dos meios de produção, especialmente no Brasil, país onde a exploração da mão de obra barata e pouco qualificada é exorbitante.

Nesse ínterim, é necessário que as vidas e o espalhamento da informação sejam colocados acima do ramo econômico. O Ministério da Saúde, agente soberano no que se trata de saúde pública brasileira, deve investir não só nas campanhas de conscientização acerca de doenças mentais, mas também na saúde mental propriamente dita, por meio da disponibilidade de psicólogos de plantão em Unidades Básicas de Saúde, evitando assim tragédias que essas doenças podem causar e fazendo com que cada vez mais pessoas possam ter a plena compreensão da seriedade de problemas mentais.