ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 25/10/2021

Mais de setenta anos após a psiquiatra brasileira Nise da Silveira revolucionar o atendimento psiquiátrico, lutando contra tratamentos agressivos e humanizando o atendimento ao doente mental, o mesmo segue sendo estigmatizado na sociedade brasileira. Seja pela falta de apoio familiar, julgamento ou exclusão, muitos indivíduos com transtornos mentais vivem marginalizados, ou até isolados da sociedade.

Inicialmente, é necessário destacar o fato do estigma associado às doenças mentais causar a exclusão das pessoas acometidas por tais enfermidades da sociedade. Dados da Associação Brasileira de Psiquiatria apontam que famílias frequentemente abandonam seus entes em hospitais psiquiátricos, gerando ocultação e isolamento das pessoas acometidas por transtornos dessa ordem, que incapazes de reagir, passam a assistir à evolução da doença associada a exclusão social.

Ademais, a Organização Mundial da Saúde aponta que menos da metade dos brasileiros busca ajuda médica especializada ao apresentar os primeiros sintomas de pânico e depressão, temendo reações negativas devido à falta de informação, julgamento e invalidação por parte de seus familiares. Assim, a busca por tratamento acaba sendo evitada, aumentando ainda mais o índice de brasileiros debilitados por essas mazelas.

Infere-se, portanto, que o Ministério da Saúde realize campanhas de conscientização, buscando informar a população sobre as doenças mentais e a importância do tratamento humanizado e acolhedor. Para tal, o uso das redes sociais e de informativos em redes de televisão é vital, buscando atingir o máximo de lares com opiniões especializadas e esclarecedoras, em linguagem de fácil acesso a toda sociedade. Além disso, o Ministério da Educação deve introduzir palestras sobre o assunto na Base Nacional Comum Curricular, buscando formar jovens melhor preparados para enfrentar os desafios impostos pelas doenças mentais.