ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 25/10/2021
O livro “A Mulher na Janela” da autora A. J. Finn descreve a vida de Anna, psicóloga que sofre de agorafobia (medo do espaço aberto) e há um ano não sai de casa. Nesse sentido, a narrativa se desenvolve com a descrição de Anna sobre o preconceito e ridicularização feita por seus vizinhos devido ao seu estado mental. Fora dos livros, a sociedade brasileira tem um grande estigma para a doença mental. Isso se deve principalmente ao preconceito na discussão em torno da saúde mental e ao descaso do Estado em lidar com esse campo da saúde.
Em primeiro plano, fica evidente a existência de estereótipos relacionados à saúde mental, o que tem levado ao preconceito das pessoas em relação a essa temática. Segundo o filósofo Claude Lévi-Strauss, uma análise suficiente do coletivo é alcançada pela compreensão dos comportamentos que constituem a sociedade, como os padrões históricos das relações sociais. Diante disso, pode-se razoavelmente inferir que a sociedade brasileira se baseia na rejeição e preconceito do conceito de saúde mental, e considera a doença mental como indigna de cuidado e cheias de “frescura” , e que não merece a mesma atenção dada as doenças fisicas.
Além disso, é preciso explicar a negligência do governo brasileiro no trato com a doença mental das pessoas. Segundo o sociólogo contratista John Locke, o Estado tem a responsabilidade de proteger os direitos dos cidadãos para que a sociedade possa viver em harmonia. Nesta perspectiva, é certo que as instituições responsáveis pela defesa dos interesses dos cidadãos não desempenharam qualquer papel, deixando a população vulneravel. Por exemplo, na série “13 Razões”, Hannah Baker, uma adolescente que sofre de depressão, cometeu suicídio depois de não conseguir encontrar apoio psicológico suficiente em sua cidade. Portanto, é claro que a falta de ação efetiva do Estado contribui para o estigma da doença mental.
Portanto, o governo federal, que visa regular e organizar a sociedade, deve aprovar a Assembleia Nacional para estabelecer centros de atendimento psicológico gratuitos em todos os municípios e programas de televisão para doenças mentais, além de prestar esclarecimentos e informações. Sobre como e onde buscar ajuda para difundir os meios de combate aos problemas psicológicos para a plena implementação da Declaração Universal dos Direitos Humanos e ajudar a todos, independentemente da sua classe socioeconômica. Dessa forma, a população saberá reconhecer os sinais do desequilíbrio mental, de forma a eliminar o preconceito em torno desse problema.