ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 25/10/2021
São Tomás de Aquino, frade italiano representante da filosofia escolástica, defendeu que todos devem ser tratados com a mesma importância. Comparada com os ideias estabelecidos pelo medieval, sabe-se que que a eventual realidade do país se contrapõe à tese arcaica devido ao estigma associado às doenças mentais, configurando um problema de contornos específicos, cuja resolução é dificultada em virtude da pressão social atrelada à passividade governamental.
Diante desse cenário, sabe-se que o mantimento da integridade mental dos indivíduos deve-se à influência do meio de convívio. Nesse sentido, o filósofo coreano Byung Chul Han, ao formular o conceito de “Sociedade do Cansaço”, expôs que os meios de interação têm moldado um ser humano caracterizado pela necessidade de se encaixar em padrões pré-definidos, tendo como resultado a manifestação das doenças psico-emocionais. Sob esse viés, percebe-se a veracidade do ponto de vista do autor, uma vez que, no Brasil, país mais depressivo das Américas, a constante imposição de estereótipos sociais traz como consequência o aumento exorbitante de quadros de instabilidades emocionais.
Outrossim, é oportuno comentar que o cenário supracitado não remete ao que garante arcabouço jurídico do País. Isso porque o artigo 6 da Constituição Federal é claro em caracterizar o gozar da saúde como um direito de todos, concebidos com prioridade por parte do Estado. No entanto, segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil é detentor de aproximadamente 12 milhões de depressivos. Esse recorte do panorama brasileiro evidencia a baixa atuação dos órgãos do Governo -já que pouco se é investido em psiquiatria pública-, ao deixar a população refém de seus problemas emocionais. Esse fato demonstra a ineficiência cumprimento íntegro da lei ao apontar a restrição do elementar e fundamental direito à saúde e a sua contribuição para a expressão das doenças mentais.
Depreende-se, portanto, a necessidade de mitigar o impasse. Para isso, cabe ao Governo Federal, na figura de autoridade máxima do país, intermediado pelo Ministério da Educação, promover a adição de matérias voltadas para saúde mental à grade curricular das escolas, a fim de formar cidadãos que respeitem as diversidades e ausência de padrões e valorizem o cuidado aos portadores de doenças mentais. Some-se a isso um maior investimento na inserção de psicológicos psiquiatras às unidades básicas de saúde e escolas públicas. Ademais, dessa maneira, finalmente se verá a desconstrução dos estigmas sociais, e os ideais defendidos por São Tomás, de fato, representarão a realidade brasileira.