ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 27/10/2021
De modo geral, vivemos em uma sociedade discriminatória e despreparada para lidar com indivíduos portadores de alguma limitação, seja ela física ou mental. Ao invés disso, esses grupos minotários são empurrados para a margem, não havendo a possibilidade do exercício de convívio social para aprender estabelecer essas relações de inclusão. Como consequência dessa ignorância, criam-se estigmas - atitudes inquisitoriais pejorativas- sobre essas incapacitações, uma grande barreira para aqueles que são vítimas dessas invalidações. Algo, semelhantemente, aplicado às doenças mentais.
Em primeiro plano, é de suma importância ressaltar o impacto dessa cultura de discriminação sobre o portador de transtorno mental. Perante a não inclusão desses individuos em uma logística de sociedade, somado aos estigmas resultantes da ignorância sobre o assunto e a falta de convivência, acarretam na autoestigmatização, ineficiência do tratamento e, inclusive, no agravamento dessas doenças no paciente. Ponto este que foi muito bem elucidado no livro clássico norte americano “Flores Para Algernon” (1959), do escritor Daniel Keyes. Durante o enredo, nos deparamos com Charlie Gordon, um homem com deficiência intelectual grave que será candidato para um experimento que promete aumentar o seu QI. Logo de início, a desumanização por parte dos cientistas à frente do estudo de Charlie, assim como seus familiares e amigos é explícita, o que compromete o desempenho desse durante as avaliações e os relatórios de rotina.
Em segundo plano, decorrente da pré formulação desses estigmas, está associado o agravamento do número de casos por causa da ignorância das pessoas e pelo medo de serem julgadas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 450 milhões de pessoas sofrem de transtornos psiquiátricos. Apenas no Brasil, 5% dos brasileiros portadores de alguma doença mental não procuram ajuda devido a autoestigmatização, fruto de discriminações por parte da família, dos amigos, nas dificuldades de conseguir emprego, entre outros.
Perante essa problemática, o MEC, juntamente com o Ministério da Saúde, órgãos da União responsáveis por mediar, atuar e propor soluções dentro dessa esfera, deverão promover, por meio de palestras orientadas, organizadas nas escolas e conduzidas por profissionais da saúde, debates sobre os estigmas associados às doenças mentais e seus impactos para seus portadores durante seu tratamento. Assim, visando a conscientização do tema e também contribuindo para a inclusão dessas pessoas dentro da logística de sociedade.