ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 26/10/2021

De acordo com a politóloga Rita Biason, a atuação do Estado deve ser pautada na ética pública, ou seja, na busca ao pleno amparo às demandas da nação, tais como, no Brasil, o importante combate aos preconceitos sociais. Esse papel, porém, não é plenamente cumprido na prática nacional, visto a ainda expressiva propagação de estigmas preconceituosos direcionados às patologias mentais na atualidade. Urge, então, analisar negativas causas à permanência desse crítico panorama.

Cabe saliente, inicialmente, que, bastante por falta de conhecimento, grande parte população propaga ideias equivocadas acercas das doenças psíquicas, a exemplo do estereótipo do doente mental como um indivíduo louco. Assim, esse errôneo pensamento acaba fomentando a exclusão social das pessoas acometidas por tais enfermidades, uma vez que cria uma imagem dessa parcela populacional como nociva ao resto social por sua “insanidade”. Logo, haja vista o que foi defendido por Rita Biason, percebe-se que os órgãos estatais não têm se empenhado suficientemente na efetivação de políticas públicas à reversão desses pensamentos equivocados.

Ademais, vale pontuar, segundo o sociólogo Jurgen Habermas, que a democracia representativa, adotada no Brasil, tolhe valiosas contribuições coletivas em decisões públicas, já que restringe as deliberações políticas majoritariamente à esfera governamental. Sob tal ótica, assim, diversos agente sociais, em especial psicólogos e psiquiatras, profissionais com grande conhecimento sobre os estigmas relacionados às doenças mentais, são pouco possibilitados de contribuir, com suas ideias, politicamente, na desconstrução desse problema. Dessa forma, fomenta-se a perpetuação de equivocados preconceitos perante tais enfermidades.

Portanto, cabe ao Ministério Público, órgão responsável por policiar a atuação dos Poderes, pressionar, por meio de ofícios, o Executivo a implementar, efetivas políticas, incluindo a coletividade na elaboração delas, com vistas ao combate à desinformação no que tange às patologias psíquicas no Brasil. Essas ações poderão operar, por exemplo, divulgando o conhecimento científico acerca dessas pautas, mediante campanhas educativas na mídia televisiva e nas redes sociais, grande ferramenta de transmissão de informações. Feito isso, os ideais de Rita Biason e de Jurgen Habermas serão, nessa temática, melhor cumpridos nacionalmente.