ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 26/10/2021
Durante a Idade Média, os doentes mentais eram vistos como seres demoníacos, já que, naquela época, não havia estudos acerca dessa temática e, consequentemente, ideias absurdas eram disseminadas como verdades. No entanto, a despeito da evolução da ciência no decorrer dos séculos, estigma associado às doenças mentais ainda é presente na sociedade brasileira em pleno século XXI. Isso ocorre, pois existe uma carência de representatividade de pessoas com esses transtornos nas mídias, de modo que eles são marginalizados.
Em primeira análise, é evidente que a pouca representatividade nos veículos midiáticos fomenta o preconceito contra pessoas com distúrbios psicológicos. Nesse sentido, segundo a filósofa Hannah Arendt, a diversidade é inerente à condição humana, de forma que os indivíduos deveriam estar habituados à convivência com o diferente. Todavia, isso não acontece, porque a presença de indivíduos dentro dos padrões de perfeição estabelecidos pela sociedade em livros, filmes e séries é predominante, de maneira que portadores de males psiquiátricos quando possuem um papel, muitas vezes, são personagens secundários e não há aprofundamento de suas histórias. Dessa forma, esse diminuto contato dos espectadores com essa pluralidade reforça condutas intransigentes como a discriminação e a criação de esteriótipos.
Consequentemente, os estigmas sobre doenças mentais, fazem com que os sintomáticos dessas patologias sejam marginalizados. Nesse sentido, a obra cinematográfica “Coringa” retrata a vida de um homem que, em virtude de sua saúde mental, é esquecido e discriminado pela sociedade, acarretando, inclusive, piora no seu quadro clínico. Assim como no filme, muitos portadores são excluídos não só do meio social, como também do mercado de trabalho, pois ora são vistos como dramáticos, ora como loucos, ora como incapazes, ao invés de passíveis a receberem tratamentos médicos adequados. Logo, os julgamentos e invalidações levam esses indivíduos à condição de subcidadania.
Portanto, fica evidente que a pouca representatividade nas mídias fomenta a estigmatização dos doentes mentais, de modo que sejam marginalizados. Assim, cabe ao Ministério da Educação - orgão responsável pelo sistema educacional brasileiro - estimular o aumento da representatividade midiática desses portadores, por meio da inclusão de cotas nas mídias nacionais destinadas aos doentes mentais, para que o exercício da alteridade seja mais presente na sociedade. Dessa forma, os estigmas associados às doenças mentais serão mitigados e as vítimas deixarão de ser excluídas como ocorria na Idade Média.