ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 26/10/2021
São Tomás de Aquino defendeu que, em uma sociedade democrática, todos devem ser tratados com a mesma importância. Todavia, na sociedade brasileira, isto não ocorre – em parte porque há, ainda, vítimas dos estigmas associados às doenças mentais. Dessa forma, nota-se a configuração de um grave problema, provocado tanto lenta mudança na mentalidade social quanto pela lacuna educacional. Primeiramente, é imperioso destacar a lenta mudança na mentalidade social.
No conto “O Alienista”, de Machado de Assis, a cidade de Itaguaí vê a sua população inteiramente diagnosticada, porquanto Dr. Bacamarte, fundador do manicômio da cidade e protagonista do conto, passa, ambicionando grandes descobertas clínicas, a internar, com pouco fundamento, todos os portadores de quaisquer desvios de personalidade ou de caráter. Hodiernamente, fora da ficção, mentalidade semelhante a do alienista é vista na sociedade brasileira, que, com frequência, arbitrariamente associa aspectos isolados a doenças mentais sérias – um desserviço que, por vezes, contribui para a mentalidade social equivocada a respeito destas enfermidades.
Em segundo plano, cabe ressaltar a lacuna educacional na questão. Para Immanuel Kant, “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Desse modo, infere-se que uma das consequências de não se ensinar e debater saúde mental nas escolas é a criação de um terreno fértil para a desinformação e consequente preconceito com os transtornos psicológicos na mente do indivíduo. Assim sendo, medidas reparatórias devem ser tomadas.
Portanto, urge que uma intervenção seja feita. Para isso, o MEC, em seu papel de regulador da educação, deve, por meio de aulas ministradas por professores e psicólogos especializados, promover uma campanha de conscientização, a fim de combater o desconhecimento e os consequentes estereótipos associados às doenças mentais. Ademais, ONGs como a CVV podem aliar-se à campanha para maior alcance e validação. Destarte, vítimas deste preconceito poderão, enfim, ser tratadas com a mesma importância do resto da população – como bem defendia São Tomás de Aquino.