ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 26/10/2021
No momento atual, num cenário em que a população vive em isolamento social, home office e restrições de lazer, o tema saúde mental ganhou destaque ao redor do mundo. Infelizmente, mesmo antes da pandemia de Covid-19, o Brasil já liderava alguns rankings de transtornos mentais. Estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que só a depressão e a ansiedade possuem um impacto econômico global de um bilhão de dólares por ano. Seus dados colocam o país na primeira posição em prevalência de ansiedade, com mais de 18 milhões de pessoas sofrendo do problema. Contudo, mesmo com esses dados, que equivalem a 9,3% da população brasileira, nenhuma medida é tomada para que os indivíduos que sofrem com algum tipo de transtorno mental possam pertencer e participar ativamente da sociedade.
De acordo com o psiquiatra Guilherme Rolim, o estigma “impede as pessoas de verem a psiquiatria de forma positiva e de buscar um tratamento adequado”. A depressão, transtorno de saúde mental mais comum em todo o mundo é, muitas das vezes, deixado de ser tratado, justamente pelo fato de se associar o tratamento psiquiátrico ao estigma da loucura, ainda muito arraigado na sociedade. Além disso, informações alarmantes da Associação Brasileira de Psiquiatria relatam que os médicos associados perceberam um aumento de até 25% nos atendimentos psiquiátricos e de 82,9% no agravamento dos sintomas de seus pacientes após o início da pandemia.
O estigma é grande barreira para as pessoas que sofrem de transtornos mentais. Portadores de transtornos mentais graves são frequentemente evitados por amigos e familiares, discriminados por colegas de escola ou trabalho, preteridos por empregadores e locatários, vítimas de violência. São mostrados de forma caricatural e preconceituosa no cinema, televisão e na mídia impressa e, por vezes, alvo de ações policiais inadequadas.
Portanto, cabe ao Estado, como importante instituição social, através do Sistema Único de Saúde (SUS) o fornecimento de tratamentos específicos para esses referidos distúrbios. O percurso para inserção social é diretamente relacionado ao da informação e do combate ao estigma. Neste aspecto, o papel da mídia é fundamental. Cabe a ela, principalmente a imprensa, atuar como instrumento essencial de transformação, apresentando os programas do SUS, indicando sua importância no âmbito da saúde mental, alternativas de participação daqueles que sofrem com transtornos psiquiátricos, provocando a reflexão e a mudança de valores, gerando novas atitudes nas gerações presentes e futuras.