ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 26/10/2021

Ao longo do movimento iluminista, na Europa do século XVIII, percebeu-se que uma sociedade só progride quando um indivíduo se mobiliza pelo problema do outro. No entanto, quando se observa o estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria, mas não desejavelmente na prática, consequentemente, a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país. Nesse contexto, convém analisar a ineficiência dos poderes públicos na efetivação de direitos e o papel do corpo social na problemática em questão. Em primeira análise, é inegável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema.

De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a inércia governamental diante do estigma associado às doenças mentais na sociedade rompe essa harmonia, haja vista que, embora a Carta Magna de 1988 garanta diversos direitos civis a todos, muitos cidadãos sofrem, diariamente, danos morais e intelectuais por falta de políticas públicas que viabilisem seus direitos à dignidade humana, mostrando que o Estado brasileiro precisa implementar medidas para que a regulação social seja mais eficaz. Outrossim, evidencia-se a participação de setores da sociedade como fator impulsionador do impasse em análise. De acordo com Émile Durkheim, o fato social consiste em maneiras de agir e de pensar que exercem poder de coerção sobre os indivíduos, obrigando-os a se adaptarem às regras da sociedade onde vivem. Seguindo essa linha de pensamento, nota-se que a persistência da problemática em foco se enquadra na teoria do sociólogo , pois se um jovem vive em um grupo familiar com esses estigmas e preconceitos, tende a adotá-los por conta da convivência em grupo. Assim, tornam-se necessárias intervenções educacionais para superar esse entrave social no país. É evidente, portanto, que é imprescindível o debate acerca do estigma associado ás doenças mentais para a construção de uma sociedade melhor.

Destarte, com o intuito de atenuar a problemática, cabe ao Poder Executivo Federal, por meio de suas mídias virtuais, lançar campanhas publicitárias mostrando a diferença entre os conceitos de saúde mental e doença mental, promovendo a quebra de estigmas e maior cidadania para todos. Ademais, conforme o pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, por intermédio das Secretarias de Educação, palestras ministradas por pedagogos nas escolas de ensino médio para que discutam a importância da superação dos estigmas associados às doenças mentais, a fim de que o tecido social se construa por meio da efetivação dos direitos sociais elencados na Carta Magna de 1988.