ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 26/10/2021
A série “Os treze porquês” representa a forma idealizada com que a sociedade lida com doenças mentais. A romantização do suicídio e da depressão são comuns tanto à ficção quanto à realidade. Exemplo disso é a intensa ocorrência de casos de transtornos psicológicos no Brasil, pois a estigmatização do problema potencializa seus efeitos. Ainda, as tentativas de ignorá-lo e de docilizar indivíduos mentalmente instáveis contribuem com o cenário.
A princípio, a tendência de negligenciar a existência dessas doenças acarreta seu aumento. Por exemplo, na Europa do sécula XIX a “Síndrome de Werther” derivou da tentativa da Igreja de censurar uma obra que abordava essa temática e supostamente levava pessoas ao suicídio. Nesse sentido, o comportamento persiste na sociedade brasileira contemporânea, uma vez que o preconceito e a negação a transtornos psicológicos são marcantes. Em outras palavras, colocações que objetivam menosprezar o sofrimento do outro são comuns, como as falácias de que indivíduos depressivos são “fracos” ou “não querem melhorar”. Desse modo, os números de doenças mentais seguem crescentes, pois, segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 11 milhões de brasileiros têm depressão, consequência da não aceitação do problema.
Paralelo a isso, a padronização social exerce tentativas de “adestramento” do sujeito. Segundo Foucault, a sociedade contemporânea tem mecanismos que promovem a docilização dos corpos. Ou seja, pressões (econômicas, estéticas, raciais) fazem com que o indivíduo siga padrões comportamentais que favorecem a hegemonia de determinados grupos. Dessa forma, por não atenderem a esse modelo, pessoas com doenças mentais, taxadas de “loucas”, são marginalizadas. Exemplo disso, no Brasil, foi o Hospital Colônia de Barbacena, que teoricamente oferecia abrigo e tratamento aos “loucos”. No entanto, era na verdade um depósito de sujeitos indesejáveis na sociedade e que sofriam negligências e maus tratos. Logo, a estigmatização desse problema é histórica e cultural no país.
Portanto, é essencial que o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, desenvolva projetos de abordagem adequada do tema. Por meio de pesquisas, documentários (como o que relata o caso do Hospital de Barbacena) e palestras de profissionais da área, é necessário que os alunos aprendam sobre essas doenças de forma segura. Ademais, é preciso que o Ministério da Saúde divulgue campanhas de conscientização sobre a temática. Dessa maneira, além da queda nos índices dessas doenças, as novas gerações crescerão com percepções diferentes das apresentadas em “Os treze porquês”: com responsabilidade, empatia e não romantização da problemática.