ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 26/10/2021

Dados divulgados pela OMS ( Organização Mundial da Saúde) mostram que 11,5 milhões de brasileiros têm depressão. Em uma sociedade que visa de forma antagônica pessoas com algum transtorno mental, vê-se um problema que expõe as vísceras, uma falta de conhecimento populacional e uma falta de debate sobre a problemática que cria raízes no mundo pós-moderno. Que precisa ser revertida de forma eficaz.

Primeiramente, é imperioso destacar a lenta mudança na mentalidade social. No conto “O Alienista”, de Machado de Assis, a cidade de Itaguaí vê a sua população inteiramente diagnosticada, porquanto Dr. Bacamarte, fundador do manicômio da cidade e protagonista do conto, passa, ambicionando grandes descobertas clínicas, a internar, com pouco fundamento, todos os portadores de quaisquer desvios de personalidade ou de caráter. Hodiernamente, fora da ficção, mentalidade semelhante a do alienista é vista na sociedade brasileira, que, com frequência, arbitrariamente associa aspectos isolados a doenças mentais sérias – um desserviço que, por vezes, contribui para a mentalidade social equivocada a respeito destas enfermidades.

Apesar disso, ainda há uma grande estigmatização dos transtornos mentais por parte do corpo social, devido à ignorância gerada por uma cultura obsoleta, em que se acreditava que pessoas com doenças mentais estavam possuídas ou eram apenas “loucas”. Fica claro, portanto, que esse tipo de concepção prejudica o progresso social, na medida em que dificulta o tratamento adequado àqueles que necessitam, e, portanto, impede a melhora na qualidade de vida do indivíduo, que muitas vezes passa a vida toda sem descobrir que tem uma doença. Assim, a estigma diante de doenças metais acaba por contribuir para a manutenção de uma sociedade deprimida, ansiosa e potencialmente suicida.

Diante do exposto, é preciso que a realidade atual seja repensada. Cabe, portanto, ao Ministério da Saúde, promover a divulgação sobre as consequências das doenças mentais, como a depressão. Isso pode ser feito por meio de propagandas com depoimentos de quem superou tal doença, a fim de promover a valorização da saúde mental à população. Tal medida será divulgada nos comerciais do YouTube, independente de preferências. Desta maneira, espera-se garantir o direito à saúde como um todo, conforme assegura a DUDH.