ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 27/10/2021
São Tomás de Aquino, frade italiano representante da filosofia escolástica, defendeu que todos devem ser tratados com a mesma importância. Comparada com os ideiais estabelecidos pelo medieval, sabe-se que que a eventual realidade do país se contrapõe à tese arcaica devido ao estigma associado às doenças mentais e configura-se como um problema de contornos específicos, cuja resolução é dificultada em virtude da pressão social atrelada à passividade governamental.
Diante desse cenário, sabe-se que o mantimento da integridade mental dos indivíduos deve-se à influência do meio de convívio. Nesse sentido, o filósofo coreano Byung Chul Han, ao formular o conceito de “Sociedade do Cansaço”, expôs que os meios de interação têm moldado um ser humano caracterizado pela necessidade de se encaixar em padrões pré-definidos, e acrescenta nos indivíduos a manifestação das doenças psico-emocionais. Sob esse viés, percebe-se a veracidade do ponto de vista do autor, uma vez que, no Brasil, segundo a Organização Mundial da Saúde, o país mais depressivo das Américas, a constante imposição de estereótipos sociais traz como consequência o aumento exorbitante de quadros de instabilidade emocionais.
Outrossim, é oportuno comentar que o cenário supracitado não remete ao que garante arcabouço jurídico do País. Isso porque o artigo 6 da Constituição Federal é claro em caracterizar o gozar da saúde como um direito de todos, concebido com prioridade por parte do Estado. No entanto, conforme dados da OMS, o Brasil é detentor de aproximadamente 12 milhões de depressivos. Esse recorte do panorama brasileiro evidencia, em suma, a baixa atuação dos órgãos do Governo, já que pouco se é investido em psiquiatria pública e a população se mantém refém de seus problemas emocionais. Desse modo, é inegável que esse cenário nefasto demonstra a ineficiência cumprimento íntegro da lei ao observar a restrição do elementar e fundamental direito à saúde e a sua contribuição para a expressão das doenças mentais.
Depreende-se, portanto, a necessidade de mitigar o impasse. Para isso, cabe ao Governo Federal, na figura de autoridade máxima do País, intermediado pelo Ministério da Educação, promover a adição de matérias voltadas para saúde mental à grade curricular das escolas, com a ingressão de profissionais capacitados para o lecionamento, a fim de formar cidadãos que respeitem as diversidades e a ausência de padrões, bem como valorizem o cuidado aos portadores de doenças mentais. Some-se a isso um maior investimento na inserção de psicológicos e psiquiatras às unidades básicas de saúde. Só então se verá a desconstrução dos estigmas sociais e, por fim, os pré-conceitos estabelecidos por São Tomás, de fato, representarão a realidade brasileira.