ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 03/11/2021
No filme “Tempos Modernos”, Charles Chaplin critica as condições precárias de trabalho no período da segunda revolução industrial, o qual muitos trabalhadores eram submetidos a cargas horárias e repetições mecânicas excessivas, inferindo, assim, graves problemas físicos e psicológicos. Nesse sentido, fora da ficção, essas negligências com a saúde mental persistem na sociedade brasileira, visto que a falta de informação e o culto contemporâneo pelo trabalho são catalisadores dos estigmas associados às doenças mentais. Portanto, faz-se necessária uma análise dessa conjuntura.
Em primeira análise, a desinformação populacional, intensificada pela omissão do Estado, contribui para que a problemática do estigma relacionado aos distúrbios mentais continue a permear a sociedade brasileira. Com efeito, segundo o documentário “Holocausto Brasileiro”, a generalisação do quadro clínico de pessoas com distúrbios psíquicos gerou uma hecatombe social, afetando principalmente pessoas marginalizidas ou fragilizadas. Nesse aspecto, devido à escassez da divulgação de informações nas redes midiáticas sobre a importância da identificação e do tratamento das doenças psicológicas, há a relativização de quem é aceito no convívio social. Desse modo, assim como no curta-metragem, os arquétipos paulatinamente associados a este tipo de doenças, infelizmente, estimulam ainda mais a marginalização desses indivíduos.
Por conseguinte, hodiernamente, em consonância com a proposta de Chaplin, o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, em seu ensaio “Sociedade do Cansaço”, exprime a ideia positivista do indivíduo empresário de si na procura pela alta produtividade. Nessa perspectiva, a busca implacável, fomentada pela ilusória liberdade auto coercitiva, causa sérios danos a sua sanidade mental, pois inevitavelmente o excesso de positividade o levará ao esgotamento psíquico. Dessa forma, é indubitável que o trabalho demasiado acaba sendo resultado de uma dissonância cognitiva, que massifica a estigmatização das doenças psíquicas em torno de uma corrida pela produtividade inalcançável.
Depreende-se, portanto, a necessidade de combater os estigmas associados às doenças mentais no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação inserir nas escolas, por meio de alterações na Base Nacional Curricular Comum, palestras e oficinas, para desenvolver a capacidade estética e expressiva de se colocar no lugar do outro de maneira lúdica, articulada à reflexão da psicologia sócio-histórica, a fim de formar cidadãos mais tolerantes e conhecedores dos transtornos mentais, reduzindo a segregação social. Além disso, dessa maneira, será possível oxigenar mudanças significativas no ambiente de trabalho e, ademais, reduzir a