ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 02/11/2021

O célebre filósofo, sociólogo e psicólogo, Michel Foucault, defende em sua obra “História da Loucura” que o termo “doença mental” adquiriu diversos significados mediante as concepções culturais das temporalidades históricas. Na conjuntura vigente, apesar  de notáveis avanços nesse tocante e a maior efetivação dos direitos previstos na Constituição Federal de 1988, expressões corriqueiras, ainda, legitimam uma cultura marginalizadora para com os portadores de transtornos mentais. Afim de compreender melhor essa problemática, faz-se necessário analisar suas implicações histórico-culturais bem como a escassez de políticas públicas educacionais que possam mitigar esse quadro nocivo.

Primordialmente, cabe analisar a contribuição da Igreja Católica, nos anos da Inquisição, no que tange o “olhar” preconceituoso direcionado a essa minoria social. Nesse período, além de milhares de mulheres terem sido retalhadas por se oporem ao sistema de hegemonia masculina, indivíduos com quaisquer comportamentos tidos como anormais tinham o mesmo destino, em virtude do poder secular do Cristianismo. De modo semelhante, porém velado, na conjuntura brasileira presente, indivíduos que não se adequam aos conceitos de normalidade psicológica tendem a ser excluídos das práticas de entretenimento, espaços coletivos análogo a situação dos personagens mutantes de “X-men”, obra ficcional, que tematiza a escludência, consequentemente, isso desencadeia problemas emocionais, como baixa autoestima e mau desempenho escolar nesses indivíduos.

Portanto, com a finalidade de romper esse panorama negativo, cabe ao Governo promover, no colégio, a disciplina de Psicologia, de forma obrigatória e a Mídia, por meio de divulgação de programas de entretenimento que abordem a temática do estigma associado a doenças mentais, desenvolver programas lúdicos, com direção artística qualificada, linguagem apropriada tanto para portadores de deficiência auditiva quanto para o público infantil, afim de promover a equidade.