ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 03/11/2021
A obra ´´O Demônio do Meio-Dia``, do escritor americano Andrew Solomun, revela a triste realidade do narrador acometido pela depressão. Ao longo do relato, ele confessa que preferia padecer de alguma doença com feridas visíveis do que daquela que marcava apenas seu invisível interior. A justificativa era que parte considerável de sua penúria decorria da falta de comprensão de seus pares. Análogo a obra, vivem milhões de brasileiros vítimas do estigma associado às doenças mentais. Todavia, para reverter esse quadro cabe compreender como a desinformação corrobora esse problema. E, por conseguinte, onera a economia nacional.
Primeiramente, é necessário destacar que a falta de informação a respeito dos transtornos psiquiátricos reforça o preconceito. Nesse sentido, uma população que ignora a gravidade da situação compromete os diagnósticos e tratamentos, disponíveis, inclusive no SUS- na figura dos Centros de Atenção Psicosocial (CAPS). Nesse ideário, a invisibilidade foi apontada pelo médico Sgmund Freud, em ´´Tótem e Tabú´´, como uma mazela social, pois está alicerçada sobre os pilares da desinformação. Diante disso, fica evidente que promover a informação acerca dessa problemática é essencial.
Paralelo a isso, é importante destacar as consequências econômicas que recaem não só sobre o indivíduo, mas afetam toda a sociedade. Um exemplo disso é a pressão sobre os gastos públicos decorrentes do tratamento dos enfermos, e, também do abandono de emprego por incapacidade. Nesse viés, de acordo com dados da OMS, um trilhão de dólares é o prejuízo mundial em virtude dos trantornos mentais. No contexto nacional, ainda consoante ao orgão supranacional de saúde, o Brasil é o país latinoamericano mais acometido pela depressão, logo, o mais afetado economicamente. Assim, atacar as raízes da estigmatização é imperativo para o bem comum.
Frente ao exposto, evidencia-se a urgência do combate à desinformação acerca dos transtornos mentais. Para isso, o Ministério da Saúde em conjunto com a mídia - enquanto maior disseminadora de informação- devem elaborar campanhas publicitárias informativas a respeito de sintomas e locais para procurar ajuda, tais comerciais devem ser exibidos em horários de maior audiência, a fim de propagar informação e acabar com o estigma que atribula a vida dos doentes. Feito isso, haverá menor pressão sobre o orçamento público e prec onceito apenas na literatura
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