ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 04/11/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas Moore, é retratada uma sociedade perfeita, ou seja, em que o corpo social é padronizado pela ausência de conflitos e problemas. Distante da ficção, no Brasil hodierno, o estigma social associado às doenças mentais coloca empecilhos para a realização das ideias de Moore. Esse desvio ocorre, sobretudo, devido ao preconceito e à banalização dessas patologias por majoritária parte da população. Desse modo, são necessárias mais ações sociais e governamentais para a resolução dessa situação. Nessa conjuntura, é importante salientar que as doenças mentais sofrem preconceito por uma parcela da sociedade. Sob esse viés, na série televisiva “Grey’s Anatomy”, a protagonista Meredith sofre um atentado de homicídio no seu ambiente de trabalho, o qual lhe acarreta transtornos mentais. Entretanto, apesar de recomendações médicas, ela não aceita o tratamento por não acreditar que está doente. Fora da ficção, é reproduzido por vários cidadãos brasileiros, que se recusam a acreditar que estão doentes e, muitas vezes, até negam a existência dessas patologias. Essa recusa é feita, geralmente, por crenças que indivíduos com doenças psiquiátricas são rotulados e marginalizados pelo corpo social, o que perpetua um estigma que coloca em risco o bem-estar dos cidadãos. Dessa maneira, é evidente a importância de ações para o enfrentamento dessa problemática. Ademais, é importante ressaltar a banalização dos sintomas dessas doenças. Acerca disso, a filósofa Alemã Hannah Arendt, na sua obra “A banalidade do mal”, aponta que a sociedade tende a aceitar passivamente situações problemáticas por serem consideradas comuns no cotidiano. Nesse sentido, sintomas de transtornos psicológicos, como ansiedade, tornaram-se banais por uma parcela de pessoas, com a justificativa que é normal sentir isso ao longo da vida. Todavia, esse pensamento é errôneo, pois perpetua a noção de que patologias psicológicas não existem, desqualificando o tratamento adequado. Urgem, portanto, medidas para o combate desse problema. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as Secretarias de Saúde, promover a conscientização sobre a existência de transtornos mentais e a aceitação dos indivíduos afetados na sociedade, por meio de campanhas, como palestras com profissionais capacitados, a fim de abolir o estereótipo construído sobre essas patologias. Dessa forma, o problema será combatido e valerá o modelo de Thomas Moore.