ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 07/11/2021

À entrada do Oráculo de Delfos, monumento da Grécia Antiga, possuía a frase do pensador Sócrates: “Conhece-te a ti mesmo”. Notadamente, uma referência à importância da valorização do indivíduo. Nesse sentido, é de suma importância analisar o estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira, produto de um corpo social não alinhado ao pensamento socrático. Desse modo, têm-se como ferramentas que fomentam tal cenário a postura ineficiente do Estado e a rejeição às vulnerabilidades nas redes sociais.

A pricípio, é necessário pontuar que, segundo a Organização Mundial da Saúde, saúde não é simplesmente a ausência de doença, mas também um conjunto de bem-estar físico, psíquico e social. Assim, torna-se evidente que tal questão é, primordialmente, concernete aos poderes do Estado, cabendo-lhes o papel de trazer sobre as doenças mentais um olhar amplo sobre o sujeito e suas condições biopsicossociais. Não obstante, o médico Drauzio Varella, por sua experiência, expressou que as políticas de saúde no Brasil são muito emergencistas e pouco preventivas. Dessa forma, tal fato justifica a busca tardia pelo tratamento e o olhar para a doença como algo isolado e inevitável.

Outrossim, é válido notar que o paradigma de vida feliz e sem fraquezas propagado nas redes sociais é um dos principais mantenedores do estigma associado às doenças mentais na modernidade. O estilo de vida superficial, dissertado por Zygmunt Bauman em Modernidade Líquida, denuncia os modos com que o adoecimento psíquico tem sido encarado: com falta de informação e com preconceito. Nesse contexto, as redes sociais se tornaram ferramentas de reforço da ideia de que a depressão, a ansiedade e qualquer outra doença ou transtorno são característicos de pessoas fracassadas, não havendo espaços para estas, nem para a discussão aberta e saudável de tais vulnerabilidades.

Isto posto, são necessárias medidas eficientes para mitigar essa problemática. À vista disso, é fundamental que o Ministério da Saúde elabore políticas públicas de tratamento e prevenção do adoecimento psíquico nas Unidade Básicas de Saúde, fazendo uso de cartilhas informativas, ciclos de palestras sobre os temas que tangenciam o adoecimento e tornar o acompanhamento psicológico e psiquiátrico mais acessível. Posto isso, é fundamental que tais ações tenham por fundamento o conceito de saúde da OMS e a prevenção. Ademais, é imprescindível que o referido Ministério crie campanhas e “hashtags” nas redes sociais a fim de ampliar o espaço de debate e interação. Dessa maneira, a sociedade brasileira poderá ter seu olhar transformado acerca das doenças mentais e, por fim, alcançar-se-à o anseio de Sócrates.