ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 11/11/2021

O Mito da Caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira se caracteriza com a mesma problemática, visto que o estigma associado às doenças mentais é omitido na sociedade, em função da displicência governamental, bem como da escassez de debate.

Sob esse viés, a negligência estatal mostra-se como empecilho á consolidação de uma solução. Nessa perspectiva, o governo não investe em um centro especializado  no tratamento aos transtornos psicólogicos, por conseguinte, muitos portadores não são devidamente tratados, o que contribui para a perpetuação do estigma. Esse quadro de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, de Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, mas que perderam sua função social, uma vez que não cumprem seu papel com eficácia. Desse modo, esse imbróglio urge ser solucionado, para que a teoria do sociólogo seja refutada.

Outrossim, o silenciamento ainda é um impasse para a resolução do obstáculo. Nesse sentido, a Teoria do Agendamento, formulada pelos jornalistas Maxwell e Donald Shaw, expõe que a mídia detém poder de deliberar os assuntos que devem ou não estar presentes na pauta de discussão de dada localidade. Acerca disso, é indubitável que a pouca abordagem midiática com relação a discriminação sofrida pelos indivíduos com patologias neurológicas fomenta a ideia de que esse problema não possui importância para o pleno desenvolvimento do corpo social. Consequentemente, muitas pessoas acabam por julgar ser correto tratar os doentes mentais de maneira diferenciada e até desrespeitosa. Logo, há muitos casos de violência contra esse grupo, em que a agressão verbal é a mais relatada, correspondendo a mais de 60% dos casos, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estátistica).

Portanto, é preciso que as escolas, em parceria com a mídia, promovam um espaço para rodas de conversa no ambiente escolar, por meio de livros e filmes que abordem o estigma associado às doenças mentais, a fim de que mais pessoas compreendam esse tema e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções. Tal ação pode ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e convidados especialistas no assunto. Além disso, essa atividade não deve se limitar aos alunos, mas ser divulgada nas redes sociais - como Facebook e Instagram - para que mais pessoas tenham acesso. É possível, também, criar uma “hashtag” para identificar o programa e ganhar mais visibilidade. Dessa maneira, o mito da caverna não terá mais representação na coletividade.