ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 16/11/2021
O conto “O Alienista”, escrito por Machado de Assis no século XIX, retrata a obsessão de um psiquiatra em identificar doenças mentais e encarcerar todos aqueles vistos por ele como “loucos”. Fora da ficção, tal estigmatização dos transtornos psíquicos e dos que sofrem com estes ainda configuram um problema na sociedade brasileira. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: a necessidade de informar a população acerca do tema e a importância do tratamento adequado e humanizado oferecido aos doentes. Destarte, é fundamental analisar os fatores que tornam essa problemática realidade.
Em primeira análise, evidencia-se o enorme desconhecimento da sociedade brasileira quando o assunto é a saúde mental e seus impactos, fator que influencia no fortalecimento dos estigmas associados ao mal-estar psicológico. Segundo o filosofo Voltaire, o preconceito nasce de uma opinião sem conhecimento. Assim, a falta de informações forma intolerância e leva grande parte das pessoas a categorizarem as doenças mentais como fúteis, meras “frescuras” sem relevância ou implicações reais. Logo, os rótulos preconceituosos impostos àqueles que lidam com algum tipo de transtorno são presentes graças à ignorância da maioria dos indivíduos.
Além disso, é notória a maneira com que a ridicularização causada pelos rótulos faz com que as pessoas acometidas por doenças mentais não procurem tratamento adequado e perpetuem o sofrimento ocasionado por males psíquicos. De acordo com dados da instituição “Zen Klub”, a depressão é a doença mais incapacitante do mundo e, especificamente no Brasil, já existem mais de 11,5 milhões de cidadãos acometidos por tal enfermidade. Logo, a banalização reforçada por estigmas invalida a condição dos doentes e faz com que cada vez mais pessoas padeçam caladas e se tornem incapazes socialmente.
Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham conter a estigmatização das doenças mentais na sociedade brasileira. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Saúde, por meio de uma parceria com as secretarias educacionais regionais, implementar um programa de palestras e debates comunitários, interligando profissionais e cidadãos, que possa difundir a real relevância da saúde mental para o bem-estar populacional e estimular a procura à ajuda especializada por parte dos doentes, a fim de que os rótulos preconceituosos possam ser condenados e extintos. Assim, pensamentos e atitudes intolerantes como os retratados no conto de Machado de Assis não serão mais uma realidade.