ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 16/11/2021
Segundo o compositor Renato Russo, “o mal do século a solidão, com cada um imerso na própria ignorância, esperando por um pouco de afeição”. Análogo a isso, a perspectiva do cantor persiste no cenário contemporâneo, visto que, em decorrência desse distanciamento gradativo entre os indivíduos, nota-se, no Brasil contemporâneo, o aumento do estigma associado às doenças mentais. Desse modo, torna-se premente analisar as causas centrais dessa problemática: a falta de uma atuação pedagógica eficaz e a fragilidade dos valores humanos e morais.
Diante desse cenário, cabe ressaltar que o baixo nível de conhecimento impulsiona o tabu referente às patologias psíquicas. A respeito disso, segundo o filósofo Kant, “o homem é aquilo que a educação faz dele”, ou seja, o acesso ao saber é um fator determinante para a formação e melhora do caráter do indivíduo. Em paralelo, é evidente que boa parte da população desconhece da gravidade e das consequências das doenças mentais na vida de um paciente, visto que as escolas e as instituições públicas não promovem o diálogo, bem como contribuem para o desconhecimento acerca do tema. Como consequência, é factual que o preconceito relacionado a esses distúrbios se propaga entre os indivíduos, o qual estimula o silenciamento das vítimas e o estigma relacionado às patologias mentais. Dessa forma, destaca-se a urgência de combater a ignorância geral sobre o problema em questão.
Ademais, é lícito postular que a escassez de solidariedade entre os indivíduos figura como um propulsor da falta de consciência relativa às doenças que afetam a psíque. Com base nisso, conforme a “Ética da Responsabilidade”, preconizada pelo filósofo Lévinas, todos os cidadãos devem colocar-se no lugar do outro para garantir a boa vivência, sendo necessário o desprendimento de concepções individualistas. No entanto, ao analisar a realidade do tratamento destinado aos doentes mentais, verifica-se que essa premissa não é efetivada, em razão da ausência de uma orientação humana e moral entre os brasileiros. Logo, por conseguinte, configura-se uma profunda lacuna no que tange ao exercício da empatia e do auxílio a essas pessoas, fortalecendo o tabu da temática supracitada.
Evidencia-se, portanto, a relevância de agir de modo energético para solucionar os desafios associados ao estigma das doenças mentais. Com isso, o Ministério da Educação, órgão responsável por articular as demandas nacionais com políticas do ensino, deve propor programas de debate semanais, por meio de oficinas em escolas públicas e transmissões em canais governamentais da internet, para que seja discutido abertamente sobre a saúde mental, orientado por psiquiatras. Assim, com o intuito de conscientizar os cidadãos e mitigar o tabu a essas patologias, certamente a realidade descrevida pelo compositor Renato Russo permanecerá apenas na canção.