ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 17/11/2021

Problema Nacional

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil é considerado o país mais ansioso do mundo e o quinto mais depressivo. Por conseguinte, é  alarmante que em pleno século XXI, as doenças mentais ainda são discriminadas e pouco conhecidas, bem como o número crescente de casos, que podem levar até a morte. Devemos parar de “varrer o problema para debaixo do tapete”, e tentar resolver esse grande problema nacional.

No romance realista “Quincas Borba”, o protagonista é desprezado pelos próprios amigos e vira motivo de “riso” por ter adquirido uma doença mental. Embora a história seja passada no século XIX, esse preconceito e discriminação aos doentes mentais ainda persiste nos dias atuais, em parte pela falta de conhecimento da população. Além disso, a falta de investimentos nos tratamentos desses indivíduos dificulta ainda mais o tratamento, pois segundo a OMS, existe atualmente um déficit global de investimentos em saúde mental. Portanto, como podemos mudar essa realidade se faltam investimentos no tratamento dos doentes?

Ademais, segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, as redes sociais são uma “armadilha”  para o ser humano, onde elas impõem um padrão de comportamento em nossa sociedade: “Queremos ser reconhecidos e podemos ficar frustrados se não conseguimos”, afirma. Moldando as relações sociais entre os usuários, a necessidade de aceitação e prestígio social, nesse contexto de " relações líquidas", as pessoas são convertidas em mercadorias, que podem ser usadas e descartadas, causando problemas pessoais que podem perdurar a vida inteira, como também causar ansiedade, transtornos mentais, depressão e até suicídio, sendo esta a terceira maior causa de morte entre os jovens atualmente.

Em suma, fica evidente a necessidade de combater o estigma relacionado às doenças mentais no Brasil. Faz-se necessário melhores investimentos do Ministério da Saúde para o tratamento dos doentes, seja com remédios gratuitos para a população e acompanhamento especializados dos casos. Bem como, a atuação do Ministério da Educação juntamente ao Ministério da Saúde, a promover campanhas de conscientização dessas doenças- debatendo o assunto nas escolas e comunidade com profissionais especializados, com cartazes nos postos de saúde e  propagandas midiáticas, inclusive nas redes sociais. Dessa forma, com tratamentos adequados aos doentes, e quebra dos “tabus” existentes “debaixo desse tapete nacional”, estaríamos a um passo da redução do problema.