ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 18/11/2021

A exclusão de pessoas com deficiências ou problemas mentais ocorre de modo generalizado devido ao estigma instaurado, e não é diferente no Brasil. A citada questão, além de ser uma preocupação para o país, persiste devido à precária formação escolar, que não prepara completamente o aluno para o convívio social de bem-estar. Como consequência, a falta de conhecimento sobre os problemas psicológicos limita a inclusão social e impacta negativamente as pessoas ao redor.

Em primeira análise, ressalta-se a ausência de debate acerca das doenças mentais nas escolas como fator decisivo para a persistência do estigma. Antes de tudo, caracteriza-se as instituições educacionais brasileiras como “zumbi” - termo desenvolvido pelo filósofo contemporâneo Bauman -, pois demandam alto gasto e não cumprem integralmente com seu papel principal: a inclusão de pensamentos e de realidades diversas por meio de ensinamentos sobre fatos recorrentes, mas marginalizados, como as deficiências intelectuais. Os argumentos supracitados são essenciais para a formação de estudantes tolerantes com próximo, como comentado pelo educador Paulo Freire, defensor da existência de matérias socioemocionais nas grades escolares. Sendo assim, desde a infância, os brasileiros, em maioria, carregam uma bagagem estigmatizada de pessoas com problemas mentais.

Consequentemente, a falta de conhecimento gerado desde sempre contribui significativamente para a exclusão dos deficientes - tanto de maneira interpessoal como intrapessoal. Nos dias atuais, a marginalização de indivíduos com problemas intelectuais é um fato e pode ser observada na dificuldade de tais pessoas em conseguir emprego. Há, ainda, parte da população - com depressão e ansiedade, por exemplo - que se nega a procurar atendimento psicológico e psiquiátrico e acaba tendo os sintomas agravados. Ambos os cenários citados anteriormente são impactos da precária educação, a qual reflete durante toda a vida adulta, prejudicando a organização do meio social e a forma como alguns buscam ignorar seus males.

Portanto, o estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira tem origem desde a infância, nas escolas, e gera danos no convívio de bem-estar social. Por isso, é necessário que o problema seja resolvido através da ação conjunta entre o Ministério da Educação e o Ministério da Saúde, os quais devem instigar o conhecimento sobre as doenças mentais por meio da introdução de tal assunto na grade curricular a fim de normalizá-lo e de construir um ambiente mais inclusivo. Sendo assim, as “instituições zumbi” acabarão e deixarão espaço para o método de Paulo Freire.