ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 19/11/2021

A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro - garante acesso universal a saúde. No entanto, a população se mostra distante da realidade prometida, haja vista que diversas pessoas evitam apoio psiquiátrico e escondem seus anseios com medo de represálias advinda de seus grupos sociais. Dessa forma, entende-se que o machismo estrutural, bem como a ignorância generalizada sobre o assunto apresentam-se como entraves para a garantia do direito constitucional.

Nessa perspectiva, é necessário ressaltar que o papel do homem na sociedade sempre esteve estabelecido. A esse respeito, o legado deixado especialmente pelos séculos XIX e XX, que protagonizavam uma estrutura familiar camponesa (ou recentemente saída do campo) liderada por homens responsáveis pela renda e pela tranquilidade da família, que cresciam sendo ensinados então a ser firmes. Além disso, por não serem ensinadas da mesma forma, as mulheres por vezes exibiam alguns anseios, sendo assim, considerado como coisa de mulher, argumento utilizado para humilhar o sentimento dos meninos e dos homens e deslegitimizar o sentimento das meninas e das mulheres, normalizando-o. Nesse viés, compreende-se que parcela desse legado é perpetuado até os dias de hoje, caracterizando a origem desses estigmas.

Ademais, outro fator é responsável pela falta de busca à saude: a ausência de conhecimento sobre o que é de fato a saúde mental. Nesse quesito, no livro O Alienista, de Machado de Assis, acompanhamos um doutor do século XX desbravando a área médica a respeito dos distúrbios mentais a fim de curar a esterilidade de sua esposa, desesperado, começa a admitir diversos comportamentos como nocivos para a sociedade, enchendo seu sanatório cada vez mais com pessoas normais. Nesse livro, fica clara a perspectiva da sociedade da época, que compactuou com a criação do hospício, porém, justamente por não entender, descobriram a realidade de que todos tinham alguns sintomas de estresse ou, como no livro, um pouco de loucura. Desse modo, faz-se imperativo uma medida para conscientizar a população.

Em suma, fica evidente que transtornos mentais não são compreendidos pela sociedade. Portanto, para proteger as pessoas que estejam em momentos de fragilidade mental, o MEC - órgão responsável pelas questões estudantis do país - deve, por meio de leis, promover palestras e seminários que se integrem ao ambiente familiar e expliquem esses sentimentos aos alunos e aos pais. Além disso, o MEC deve também requisitar a presença de um psicólogo por período presente em todas as unidades educacionais. Dessa forma o direito constitucional estará mais próximo de ser uma realidade.