ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 09/12/2021
Segundo Aristóteles, filósofo grego, em seu livro “Política”, o Estado é a associação de homens que visa ao mais alto dos bens, para o país e seus cidadãos. Porém, o Brasil se afasta das ideias aristotélicas, ao notar o estigma associado ás doenças mentais na sociedade brasileira, que engendra o preconceito e a exclusão social. Isso ocorre pela raiz histórica e por falta de informação.
Em primeiro plano, convém ressaltar a raiz histórica que originou e perpétua o estigma associado às doenças mentais no Brasil. Antigamente, as pessoas com doenças mentais eram retiradas da sociedade e confinadas em manicômios, onde eram submetidas a tratamentos violentos e situações desumanas. Nessa ótica, é notório a raiz histórica dos estigmas vivenciados por essas pessoas, o que cria preconceito e exclusão. De acordo com o psicólogo Marco Aurélio, o objetivo desses locais não era tratar os pacientes, mas, sim, retirar da sociedade aqueles que não se encaixavam na ideia de cidadão ideal. Assim, motivou rótulos de que tais pessoas são perigosas e não conseguem viver em sociedade, graças à lenta mudança da mentalidade social os estigmas ainda se fazem presente. Dessa forma, o passado contribui para existência dos estigmas prejudicando os indivíduos e o coletivo.
Outrossim, é a falta de informação sobre as doenças mentais que colaboram para manutenção do estigma. Nesse sentido, no “Mito da Caverna” de Patão, é retratado que alguns homens estão acorrentados dentro de uma caverna, onde veem apenas sombras de objetos, e por não terem acesso aos objetos reais acreditam que as sombras são a realidade. Análogo a isso, é evidente que a falta de informação mantém os estigmas ligados à psicopatia, que foram construídos no passado. A sociedade vê apenas sombras, e assegura o preconceito e a exclusão dos sujeitos com psicose, o que acaba por dificultar as relações sociais desses indivíduos, como ingressar no mercado de trabalho ou construir amizades. Desse modo, a falta de informação colabora para existência dos estigmas, que dá continuidade ao preconceito e a exclusão.
Dessarte, é necessário tomar medidas para resolver a problemática em questão. Nesse âmbito, cabe ao Ministério da Saúde e Educação informar a população sobre as doenças mentais, por meio de campanhas nos meios midiáticos e palestras nas escolas, com o objetivo de desmistificar assuntos relacionados a doenças mentais, por consequência o preconceito e estigma serão diminuídos, o que edificara uma sociedade melhor. Dessa maneira, será possível chegar mais próximo do Estado ideal proposto por Aristóteles.