ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 16/02/2022
Durante a Idade Média, os indivíduos que sofriam de alguma doença psíquica eram considerados como seres amaldiçoados e, por isso, eram excluidos do convívio social da época. Apesar de séculos terem se passado desde essa realidade, a mentalidade de estigmatização das doenças mentais ainda existe. No Brasil, tal preconceito provém da cultura de desvalorização do âmbito psicológico da saúde e da carência de informação sobre esse assunto.
De acordo com a Lei 8080, um dos princípios do sistema de saúde brasileiro é a integralidade, ou seja, o envolvimento da prevenção, da proteção e da recuperação não só na área física, mas também no setor psicológioco e social do bem-estar humano. Entretanto, grande parte da população do país negligencia os dois últimos quesitos, visto que, mesmo ao apresentar evidentes sinais de esgotamento e sintomas característicos de ansiedade, depressão, entre outras psicopatologias, as pessoas ainda evitam a busca por auxílio psiquiátrico. Logo, torna-se evidente que a mudança ideológica e cultural no que se refere à visão popular sobre a saúde mental é impressindível para a qualidade de vida de todos.
Ademais, uma das principais causas da perpetuação da discriminação contra neuroatípicos é a desinformação associada a esse tema. Nessa perspectiva, a obra literária “O alienista”, de Machado de Assis, conta a história do médico Bacamarte, o qual, sem conhecimentos sistematizados, interna praticamente uma cidade inteira no hospício, usando, para issso, diagnósticos baseados em sua própria opinião. Assim como esse personagem, muitos cidadãos, rodeados pela falta de informação e de representação midiática desses problemas, rejeita a inclusão desses indivíduos na sociedade.
Portanto, a fim de mitigar o intolerância referente às doenças psicológicas no Brasil, o Ministério da Saúde deve ampliar os servicos de atendimento psicológico nos hospitais de todo o país. Isso deve ser feito por meio da capacitação e da contratação de mais profissionais da área, como psicólogos, psiquiatras e enfermeiros especializados. Isso, acrescido de campanhas informativas sobre as psicopatologias nas redes sociais, auxiliará na evolução histórica tanto da saúde quanto da mentalidade da sociedade.