ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 14/04/2022
A obra literária “Utopia”, de Thomas More, retrata uma civilização perfeita, isenta de preconceitos e segregações. O autor idealiza uma realidade plena na qual as mazelas da sociedade são desconsideradas. Porém na obra, tal quadro diverge ao se analisar o contexto do estigma associado às doenças mentais no Brasil. É mister investigar como o preconceito enraizado e o papel negativo da mídia contribuem para o impasse a fim de mitigá-lo.
Em primeiro plano, o preconceito enraizado é um fator agravante nessa celeuma, visto que, para a grande maioria, aqueles que não conseguem harmonizar suas emoções são vistos como carentes de sanidade mental e nomeados com apelidos pejorativos como “doidos” e “desequilibrados”. Esse preconceito tem raízes antigas e decorre desde o início do séc. XX, quando a cidade de Barbacena, por causa da instalação do Hospital Psquiátrico de Barbacena, foi epitetada como “Cidade dos Loucos”. Essas estigmatizações segregam a sociedade em duas classes, os mentalmente saudáveis e os doentes mentais, refletindo na exclusão destes -em um momento em que deveriam ser acolhidos e não excluídos.
Simultaneamente a essa perspectiva, outro malefício que contribui para a manutenção da problemática é o papel negativo da mídia, uma vez que tal ferramenta padroniza as pessoas e invisibiliza os doentes mentais. Em 2017, Zygmaunt Bauman declarou que as redes sociais eram uma armadilha, o sociólogo não errou ao se posicionar de tal maneira, pois nas redes sociais os usuários compartilham apenas momentos felizes. Essa ação gera a ideia de que o ser saudável mentalmente é aquele que é completamente feliz, contrariando o real conceito de saudável, que é a capacidade de demonstrar seneridade diante de desafios e acidentes.
Em suma, o preconceito enraizado e o papel negativo da mídia contribuem para o impasse a fim de mitigá-lo. Cabe ao Ministério da Educação e as intituições educacionais com a participação de psicólogos, conscientizar os discentes. Por meio de rodas de conversa que tratem sobre a temática da saúde mental e a problemática do preconceito, a fim de desconstruir estigmas e apelidos pejorativos, para que a estigmatização ligada às doenças mentais seja atenuada.