ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 01/06/2022

Na psicologia analítica de Carl Jung, a sombra é um aspecto do inconsciente, em que se encontram as partes sombrias e angustiadas rejeitadas pela personalidade humana. Todos os seres humanos têm uma sombra, e, assim, todos sofrem psiquicamente. Ademais, as doenças mentais são graves distúrbios nas emoções, pensamentos e comportamentos. No entanto, na sociedade brasileira, os portadores de doenças mentais sofrem um estigma, um preconceito gerado pela incompreensão ao funcionamento da psicologia humana, e pela falta de empatia com o outro.

Em primeiro lugar, alteridade é o conceito antropológico que afirma que a existência do indivíduo subjetivo somente é possível por via do contato com o outro, e com a capacidade de se colocar no lugar do outro. Todavia, o estigma, entendido como preconceito social, não apenas é a incapacidade de desenvolver consideração e diálogo em uma relação interpessoal, como também é a rejeição do outro como sujeito. Não sendo considerado humano, mas objeto. Portanto, pessoas com doenças psiquiátricas são vulneravéis à exclusão social na sociedade brasileira, por incompreesão de familiares, amigos e colegas. E, dessa forma, a saúde de indivíduos já debilitados é ainda mais prejudicada.

Por fim, a deshumanização de pessoas com doenças mentais no Brasil é histórica, inclusive no âmbito médico, em que tratamentos agressivos eram normalizados. Tais como, lobotomia, eletrochoque e confinamentos em hospitais psiquiátricos. Porém, o tratamento mental no Brasil foi parcialmente se humanizando ao longo do século XX, nominalmente pela médica psiquiátrica Nise da Silveira, em que no filme, “Nise - O Coração da Loucura”, diz: “eu não acredito na cura pela violência.”

Assim, os seres humanos precisam encarar a sua sombra e superar a rejeição do outro. Então, para resolver essa problemática, o Estado precisa investir na formação emocional de seus cidadãos por meio de campanhas de informação pública e palestras sobre psicologia nas escolas, universidades, hospitais e centros de saúde, para incentivar o desenvolvimento da inteligência emocional no país. Chegando, dessa maneira, na conclusão do filosófo Tzvetan Todorov, de que a compreensão existirá com o reconhecimento completo do outro como sujeito.