ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 13/06/2022
Historicamente, as doenças mentais sempre foram vistas pela sociedade com preconceito e repulsa. A cena trágica do filme - Camille Claudel, de 1988, em que ela, Camille, descontrolada, lança pedras na janela da casa de Auguste Rodan, seu mestre e amor, revelam essa opinião e sentimento. Atualmente, apesar de maior conhecimento científico e divulgação midiática os transtornos mentais ainda são repelidos. Em uma sociedade onde o controle social é mais importante do que o diálogo e a reflexão das ideias que a regem, a repressão e a discriminação aos que saem do seu domínio têm como consequência a intolerância.
A interface entre a lucidez e a loucura na sociedade moderna atravessa o tempo e sempre foi usada em favor da manutenção da ordem vigente. O filósofo francês Michel Foucault expressa no seu livro – Vigiar e Punir – que a disciplina e a vigília são necessárias para produzir mais e melhor. Numa narrativa análoga, o documentário - Holocausto Brasileiro, da jornalista Daniela Arbex revela diferentes casos de internação no hospital Colônia da cidade de Barbacena – MG, desativado desde 1980, motivadas pelas doenças mentais, pelo degredo das famílias e do estado aos que incomodavam a organização do meio social.
Apesar de mudanças no entendimento dos transtornos da mente, o modo de viver e trabalhar na competitiva sociedade capitalista ainda é cruel. Dentre os diferentes tipos de sofrimentos mentais como a esquizofrenia e o bournout, a depressão é a mais divulgada estatisticamente. A Pesquisa Nacional de Saúde - PNS, do IBGE, de 2019, aponta que 10,2% (16,3 milhões) das pessoas com mais de 18 anos sofrem com a depressão, que segundo a mesma pesquisa atingia de 7,6%, em 2013, um salto de 34, 2% em seis anos.
Por fim, é importante ressaltar que os distúrbios mentais vêm ganhando vocalização nos mais variados meios da mídia nacional e, juntamente com a reforma do modelo de assistência em saúde mental, abrem caminhos para a aceitação e convivência social com seus portadores, abranda o preconceito fruto de ideologias irresponsáveis dessa condição de saúde e ressignifica modos de vida para que a desassistência aos pacientes com transtornos da mente, de responsabilidade do estado, seja finalizada em nosso país.