ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 09/08/2022
Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo a lógica barrosiana, faz-se preciso, portanto, valorizar também a problemática das doenças mentais no Brasil, ainda que elas sejam estigmatizadas por parte da sociedade. Nesse sentido, é imprescindível compreender as origens desses estigmas e de que modo elas reverberam sobre o Brasil.
Diante desse cenário, é justo perceber que a criação desse estigma é produto de um preconceito já institucionalizado no território nacional. Posto isto, é necessário citar a obra “Holocausto Brasileiro”, de Daniela Arbex, que relata o tratamento das pessoas com doença mental no hospital “Colônia” era semelhante ao massacre dos campos de concentração do regime nazista, principalmente pela perda da dignidade humana, criando, assim a idéia de desumanização de quem possui transtornos mentais. Ademais, o caráter documental do livro também ilustra o modo como a sociedade brasileira lida com a população vítima das enfermidades psíquicas, visto que a marginalização dos doentes mentais é uma tônica no país desde aquela época.
Por conseguinte, a falta de empatia com estes enfermos acentua o estigma associado às doenças mentais. Isso se dá porque a manutenção dessa ignorância é fortalecida pelos ideais narcisistas valorizados hodiernamente, os quais, muitas vezes, desvalorizam o diferente.Nesse panorama, o indivíduo, imerso em si mesmo, não consegue enxergar e aceitar a pluralidade de seres humanos que o circundam. Dessa forma, o cidadão brasileiro, inserido nessa lógica, nega o doente mental e classifica-o como anormal, reforçando estigmas danosos.
Portanto, é mister que Ministério Público, cujo dever, é garantir a ordem jurídica e a defesa dos interesses sociais e individuais indisponíveis,cobre do Estado ações concretas a fim de combater a falta de empatia, o preconceito e os estigmas às doenças mentais. Entre estas ações, deve-se incluir parcerias com plataformas midiáticas, nas quais propagandas de apelo emocional, deverão conscientizar a população acerca da importância do respeito à saúde mental.