ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 23/08/2022

Na obra “Utopia”, o escritor Thomas More retrata uma sociedade perfeita, ou seja, na qual o corpo social padronizava-se pela ausência de conflitos e dilemas interpessoais. No entanto, o que foi apresentado pelo autor manteve-se apenas no plano literário , visto que o estigma associado às doenças mentais ainda é um forte problema no Brasil. Esse panorama antagônico é fruto não só do descaso governamental como também da má formação educacional.

Sob esse viés analítico, é importante destacar, a princípio, que a inoperância estatal é um fato preponderante para a ocorrência dessa problemática. Esse cenário decorre do fato de que, assim como pontuou o economista-americano Murray Rothbard, uma parcela dos representantes governamentais, ao se orientar por um viés individualista e visar um retorno imediato de capital político, negligencia a conservação de direitos sociais indispensáveis, como a saúde. Em decorrência dessa indiligência do poder público, cria-se um ambiente propício para a precarização infraestrutural de locais especializados no tratamento de doenças psiquiátricas, tais como Centros de Atenção Psicossocial, sobretudo, em regiões periféricas ou mais afastadas dos centros urbanos. Logo, é notório que a omissão do Estado perpetua o deficitário acesso ao bem-estar social.

Além disso, é válido ressaltar que a lacuna no sistema de educação potencializa essa conjuntura. Isso acontece porque, desde o século XX, com a implementação de um formato tradicionalista de ensino pelo ex-presidente Vargas, cristalizou-se um modelo educacional que negligencia o aprendizado de temas transversais, a exemplo de concepções básicas acerca de doenças mentais. Nessa perspectiva, com o desconhecimento por parte da população - oriundo da escassez instrutiva- sobre a existência e tratamento de psicopatologias, há uma invisibilização da situação sofrida pelas pessoas que sofrem transtornos psicológicos. Como consequência disso, mantém-se o quadro de ausência de ações sociais efetivas no que tange à reversão desse contexto, fragilizando, com isso, a isonomia presente nas relações democráticas. Dessa forma, é imprescindível combater a falha do processo educacional, visto que marginaliza uma classe da sociedade

Mediante aos fatos supracitados, medidas precisam ser tomadas. Em suma, cabe ao Estado - agente promotor da harmonia social- se dedicar a reformas e construção de centros psiquiátricos, por meio de uma maior destinação de verbas para o Ministério da Saúde, a fim de amenizar as doenças mentais no país. Além disso, o Ministério da Educação deve incentivar as escolas a discutir essa problemática em sala de aula. Assim, o Brasil caminhará para a Utopia de More.