ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira

Enviada em 02/10/2022

O longametragem “Coringa” retrata a vida de Arthur Fleck, um comediante que sofre de um transtorno psíquico grave e, por conta disso, é humilhado em todos os lugares que frequenta. Apesar de ficcional, a obra foi essencial para colocar em xeque o preconceito que incide sobre doentes mentais, os quais são constante- mente invalidados por sua condição. Nesse sentido, dois importantes aspectos se destacam: de que maneira o léxico do hodierno perpetua estigmas sobre doentes psíquicos, além de como as redes sociais atuam catalisando o axioma em questão.

Em primeira análise, urge explicitar que diversas palavras usadas nos dias atuais possuem uma etimologia datada de antigos períodos, podendo carregar consigo a visão coletiva da época. Nessa óptica, os mais conhecidos exemplos são as que expressam estigmas raciais, como “criado-mudo” e “denegrir”, que remetem à escravidão. Entretanto, hodiernamente, também há vocábulos que manifestam preconceito sobre transtornos psíquicos, como é o caso de “idiota” e “cretino”, que são apenas estados clínicos de pessoas com baixo QI. Assim, evidencia-se que há um vocabulário o qual perpetua estigmas sociais, desde raciais até capacitistas.

Outrossim, houve, na modernidade, o advento das redes sociais, as quais promovem um ideário de felicidade que inexiste no mundo real. Nesse prisma, cabe ilustrar que a Indústria Cultural, segundo os pensadores da Escola de Frankfurt, faz com que internautas tenham contato somente com o que lhe é de grado, o que, na esfera das redes sociais, diz respeito a uma vida aparentemente perfeita. Dessa forma, após horas imersos em vidas que soam como impecáveis e não encontrando correspondência no seu cotidiano, os indivíduos modernos tendem a ser mais suscetíveis a transtornos como depressão e ansiedade.

Destarte, é mister do Estado tomar medidas para reverter o quadro atual. Para a redução do estigma social sobre doentes mentais no Brasil, o Ministério da Educa-ção e Cultura — órgão máximo da educação no país — deve, por meio de treina-mentos especializados, preparar professores de linguagens para instruir seus alunos em relação a palavras que carreguem preconceito. Ademais, o Ministério da Saúde deve realizar campanhas sobre a falseabilidade da vida exposta nas redes. Somente assim, será possível abrandar o quadro descrito pela Escola de Frankfurt.