ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 11/10/2022
Segundo a antropóloga Lilia Schwarcz, existe uma política de eufemismo no Brasil, ou seja, determinados problemas tendem a ser suavizados e não recebem a atenção necessária. Nessa lógica, vale a pena destacar o estigma associado às doenças mentais no cenário brasilerio como uma questão ignorada. Sendo assim, é válido analisar a negligência estatal e a desinformação populacional.
Primordialmente, é fulcral analisar a inoperância governamental como um agente do revés. Isso decorre de que, assim como pontuou o economista Murray Rothbard, uma parte dos governantes se orientam por um viés individualista, negligenciando direitos sociais básicos, como o respeito. Desse modo, devido à ausência de políticas públicas voltadas para garantir a integridade de portadores de doenças mentais, criou-se um ambiente propício para a exclusão dessa parcela dentro do corpo social, materializada no preconceito sofrido pelos doentes, proporcionando diversas dificuldades para essa fração negligenciada. Logo, é notório que a omissão do Estado perpetua o problema.
Outrossim, há uma evidente desinformação da população acerca da capacidade que os portadores de doenças mentais possuem. Nesse sentido, o filósofo Platão narrou o “Mito da Caverna”, no qual homens, presos em uma caverna, viam apenas sombras na parede, acreditando que aquilo era a realidade do mundo. Em situação análoga à metáfora, os brasileiros, sem conhecimeto sobre como funciona o psicológico de debilitados mentais, vivem na escuridão. Dessa maneira, é evidente a importância das informções, haja vista que a ausência delas dificulta o entendimento da população sobre como tratar uma pessoa com limitações de raciocínio, prejudicando a qualidade de vida dessa parcela populacional.
Portanto, o Ministério Público - órgão responsável pela defesa dos interesses sociais - deve, por meio de fiscalização dos poderes estatais, pressionar o Estado no que se refere ao aporte em investimentos na inclusão do portador de doença mental na sociedade, a fim de reduzir os estigmas relacionados à essa parte da população. Ademais, deve haver uma preparação dos estudantes, por intermédio de palestras nas escolas, com o objetivo de informar os alunos sobre as limitações de um debilitado mental e como tratar respeitosamente esse indivíduo.