ENEM 2020 - O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira
Enviada em 04/11/2022
Van Gogh, pintor pós impressionista, na obra “Sorrowing old man” retrata a afliação, a melancolia e o medo na expressão do personagem, que leva suas mãos ao rosto. Para além da pintura, o quadro representa o sentimento de muita das vítimas das doenças mentais, como a depressão e o burnout. Nessa ótica, a sociedade de consumo e a negligência social favorecem a perpetuação da problematica na sociedade. Torna-se, então, imprescindível discutir o estigma das doenças mentais no Brasil, para que se combata o cenário desesperador retratado pelo artista.
Diante desse cenário, é valido destacar que o crescimento exponencial dos casos de doenças mentais no Brasil se deve ao advento do capitalismo. Segundo Karl Marx, a sociedade capitalista é regida pelo capital, e a máxima implica que o lucro é o objetivo do burguês. Por conseguinte, a produtividade do trabalhador é valorizada em detrimento de sua saúde mental, pois é o que gera riqueza, o que provoca doenças como o burnout. A longo prazo, é configurada uma sociedade doente e imediatista, que busca trabalhar para sobreviver.
Além disso, a negligência social contribui para o enraízamento da problemática. Simeone de Beauvior, filósofa existencialista, pontua que mais escandalosa que a existência de um problema, é o fato da sociedade se habituar a ele. A partir disso, entende-se que o silêncio em torno de temas como a depressão, produto de um tabu, é um fator fundamental para sua manuntenção, já que impede que as doenças mentais sejam combatidas.
É urgente, portanto, que medidas sejam tomadas para combater as consequências das doenças mentais na sociedade brasileira. Nesse sentido, as escolas devem promover ações que conscientizem os jovens sobre a depressão e outras doenças mentais, a fim de desestruturar o tabu que paira na sociedade brasileira. Ademais, cabe também ao governo federal ampliar a atuação da Consolidação das Leis Trabalhistas por meio da extensão das férias remuneradas obrigatórias, a fim de permitir o descanso e o cuidado mental do trabalhador, e só assim, a longo prazo, promover o bem-estar social e livrar gradativamente o cidadão do mal que assola o século XXI.